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Alegria do Povo, um Anjo de Pernas Tortas

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Bom, amigos, após um longo e tenebroso inverno, um periodo de dificuldades criativas, problemas técnicos e falta de inspiração, e sempre com o pensamento de que qualidade interessa mais do que quantidade, voltei. Peço, neste momento desculpa aos leitores e demais membros do blog.
No último dia 19, caso estivesse vivo, Mané Garrincha completaria 75 anos. Como seria difícil expressar todo meu sentimento por ele, pelo que fez e que lhe rendeu o apelido que é o título do texto, vou fazer uma rápida coletânea de frases dele e sobre ele.

“De onde apareceu esse cara ? Contrata logo, senão nunca mais vou poder dormir sossegado.” Nilton Santos, o maior lateral esquerdo da história do futebol, no primeiro teste de Garrincha no Botafogo, quando levou um baile.
"Foram os três minutos mais fantásticos da história do futebol e a mais assombrosa aparição na ponta-direita desde Stanley Matthews."
Sobre o inicio do jogo contra a união soviética, quando o Brasil acertou duas bolas na trave e fez o gol, com Vavá.

“Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios."
Carlos Drummond de Andrade, sobre a forma mágica de Garrincha jogar.

"Para Garrincha, a superfície de um lenço era um latifundio."
Armando Nogueira, destacando a habilidade de Garrincha.

Mas algumas frases de Garrincha, que mostram sua simplicidade, também ficaram famosas.

“A bola veio para a esquerda e eu não chuto bem de esquerda, mas não dava pra trocar de pé. Então chutei de esquerda fazendo de conta que era de direita". Sobre um gol que marcou contra o Chile, durante a Copa de 1962


“Mas por que todo mundo está chorando? Não ganhamos o jogo?"
Depois da vitória na final da Copa de 1958, contra a Suécia e na Suécia.

“Você já combinou isso com o adversário?"
Para o técnico da seleção, que lhe mostrava um esquema tático com jogadas mirabolantes.

“Você viu, Didi, o São Cristóvão está de uniforme novo!"
Para seu companheiro de Botafogo, o mestre Didi, ao ver a seleção da Inglaterra, durante a Copa de 1962.

“Campeonatozinho mixuruco, nem tem segundo turno!”
No decorrer das comemorações da Copa do Mundo de 58.

Grato pela paciência, e abraços.

P.S. : Não poderia terminar essa homenagem sem mostrar o poema que Vinícius de Moraes escreveu, entitulado O Anjo de Pernas Tortas:

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés - um pé-de-vento!

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: - Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um 1. É pura dança!

Preço Exorbitante Para um Esporte de Massa

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Eu poderia falar de vários assuntos, como os dois golaços que não entraram na semana passada, de Lúcio Flávio e Léo Moura, o torcedor do Coritiba que chamou o jogador Carlos Alberto, do Botafogo, de macaco, e foi processado pelo jogador, o time de futebol que ousou ganhar da Alemanha de Hitler e foi assassinado por isso, ou então de Robinho, que por pura pirraça saiu do poderoso Real Madrid pra jogar no time dos petroeuros.

Mas eu vou fazer uma crítica à CBF. A Confederação Brasileira de Futebol, comandada há 4 mandatos por Ricardo Teixeira, que marca todos os seus jogos amistosos em Londres, que distancia a torcida da seleção, que não convoca mais jogadores que atuam no Brasil dando preferência aos do Leste Europeu. Essa Confederação, nas raras vezes em que faz um jogo aqui, (por obrigação, não por opção) cobra preços exorbitantes pelo ingresso. O mais barato para o jogo de amanhã será 30 reais. Imagine o cidadão que quer ver o jogo, e levar a família. 90 reais, com esposa e filho. Absolutamente fora da realidade do nosso país. E o que acontece? Vai nesses jogos gente que não costuma ir a jogos de clubes, logo, não costuma cantar e apoiar o time os 90 minutos. Quem acompanha o futebol nota claramente a diferença entre jogo da Seleção Brasileira e jogo da Seleção Argentina, por exemplo. Além disso, é absolutamente errado o cara pagar mais pela seleção do que pelo time. Por que time, ele pode ir a todos os treinos, pode ajudar, pode cobrar quando algo estiver errado, e na seleção não. Só para se ter um exemplo, até o domingo não haviam se esgotado os 45.000 lugares do Engenhão. No sábado da semanda da final da libertadores, todos os 90.000 mil lugares já estavam esgotados.

Bom , concluindo, a CBF já ganha dinheiro demais em Londres, e oferece um produto de qualidade muito baixa para cobrar esse preço.

Parabéns, Vasco, Um Clube de Títulos Dentro e Fora de Campo

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No último dia 21, completou aniversário o Club de Regatas Vasco da Gama.A exemplo do post em homenagem ao Botafogo, não será citado nenhum grande jogador, ou serão enumerados os títulos do clube. Pelo menos nenhum título meramente esportivo. O Vasco tem um título que é mais importante do que qualquer Campeonato Brasileiro, Libertadores ou Mundial. O Vasco da Gama foi o clube que, sendo campeão carioca com atletas negros em seu elenco, acabou com o racismo no futebol.

O primeiro clube a aceitar atletas negros, no entanto, não foi o Vasco, e sim o Bangu. Nessa época, nas primeiras décadas do século passado, o futebol era amador, e um esporte elitista. Os atletas negros e pobres não eram aceitos nos clubes mesmo se fossem um “Pelé” ou um “Garrincha”. O Fluminense, por exemplo, para usar jogadores negros, passava pó-de-arroz nos atletas, para eles ficarem “brancos”. E essa prática vergonhosa é lembrada até hoje pela torcida tricolor, que chama o clube carinhosamente de pó-de-arroz. A propósito, voltando ao Bangu, em 1905, já havia um jogador negro no clube, o meia Francisco Carregal. Mas o clube que realmente acabou com o racismo no futebol foi o Vasco. O clube, que em 1924 ainda era considerado pequeno, e havia subido para a primeira divisão do Campeonato Carioca no ano anterior, havia sido proibido de manter 12 de seus jogadores, pois eles trabalhavam como operários, e isso significava que eram profissionais num esporte amador. Os jogadores, eram, coincidentemente todos negros enquanto os brancos dos times grandes (Botafogo, Flamengo, Fluminense, América) não foram citados. Como não acatou a decisão da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atlhéticos), que era a regulamentadora do campeonato, o Vasco acabou desistindo de participar da associação, e se retirou da AMEA.

“Quanto à condição de eliminarmos doze (12) dos nossos jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.”

“Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V.Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA. Queira V.Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever, de V.Exa. At. Vnr. Obrigado”

Estes são dois trechos da carta histórica enviada pelo presidente do Vasco, José Augusto Prestes, a AMEA, quando desistiu de se juntar a AMEA.

O Vasco fundou, com outros clubes pequenos, uma liga paralela que permitia negros, e só voltaria a tentar entrar no seio dos grandes depois que fosse “maior do que todos eles” como disse o presidente.

Hoje, depois de tantos Campeonatos Brasileiros, uma Taça Libertadores, entre outros, o mais importante do Vasco ainda é, para mim, a luta contra o racismo no futebol.

“Eu vou torcerAqui eu ergui meu templo para vencer
Eu já lutei por negros e operários
Te enfrentei, venci, fiz São Januário
Camisas Negras que guardo na memória
Glória, lutas, vitórias esta é minha história”
Torcida do Vasco

Parabéns, Botafogo, 104 Anos de Glórias

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No dia 12 de Agosto de 1904, um grupo de jovens fundava, na zona sul do Rio de Janeiro, o que viria ser um dos 12 maiores clubes de futebol do século XX, em eleição da entidade máxima do futebol, a FIFA. Hoje, 104 anos depois, parece que uma homenagem é indispensável.


Estive, desde a terça passada, pensando no que falar. Pensei em homenagear Garrincha, o maior jogador da história do clube, ou Nilton Santos, o que mais fez partidas (700) pelo Glorioso, e é a origem do meu pseudônimo no blog. Nenhuma dessas idéias me agradou, (não que as homenagens não fossem merecidas, mas talvez não fossem interessantes). Também não me agradou enumerar títulos e conquistas do clube.


O homenageado será um jogador importante pela suas atitudes, o meia Afonsinho.
Afonsinho jogou no Botafogo de 1965 a 1970. Era considerado um dos melhores jogadores de sua posição no país, tendo sido, com o Botafogo, campeão de 6 títulos nessa época. Ganhou o último título do clube antes dos 21 anos sem conquistas, em 1968.


Ele foi um dos pioneiros no sentido de lutar contra a situação dos atletas, que eram reféns dos clubes, já que não podiam jogar no clube que queriam. Um exemplo claro dessa relação de “escravidão”, é o do já citado Nilton Santos, que em seus 26 anos de Botafogo, assinou, por amor ao clube, muitos contratos em branco(!). No auge de sua carreira, Afonsinho, que seria titular absoluto da seleção nacional para qualquer torcedor, foi proibido de integrar a seleção e de jogar futebol por usar barba. Durante a ditadura, e numa época em que os jogadores realmente queriam jogar pela seleção, Afonsinho não se submeteu as imposições, mas lutou pelo direito de jogar. Ele iniciou, então, uma batalha judicial, que culminou na obtenção da propriedade do seu próprio passe. Ter o passe de um jogador é o mesmo que ter a posse dele (eu não entendo por que trocam o “o” de lugar com o “a”, seria um eufemismo?). Assim, Afonsinho passou a poder escolher por que clube jogava. Em 1974, foi feito um filme baseado em sua vida, chamado “Passe Livre”, de Oswaldo Caldeira. Também foi feita uma música em sua homenagem, por Gilberto Gil, chamada “Meio de Campo”, que transcrevo a seguir.

“Prezado amigo Afonsinho
Eu continuo aqui mesmo
Aperfeiçoando o imperfeito
Dando um tempo, dando um jeito
Desprezando a perfeição
Que a perfeição é uma meta
Defendida pelo goleiro
Que joga na seleção
E eu não sou Pelé nem nada
Se muito for, eu sou Tostão
Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão “

PS: Não podia haver hora melhor para comemorar o aniversário do Botafogo do que essa série de 4 vitórias no campeonato. Do jeito que as coisas estão, o time deve realmente terminar o campeonato pelo alto da tabela.

Os Verdadeiros Heróis OIímpicos

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Não creio que um herói olímpico seja aquele que ganhe uma prova em condições adversas. Também não acho que se deva considerar, por exemplo, Vanderlei Cordeiro de Lima, o maratonista brasileiro que sofreu um ataque de um padre irlandês durante a disputa da maratona em 2004, um herói.

Nas olimpíadas de 1936, em Berlim, Adolf Hitler esperava comprovar a supremacia ariana sobre todos os outros povos. Ele faria isso com as vitórias de arianos sobre os outros povos nas várias modalidades, durante as provas. Ele, em parte, conseguiu isso, já que a Alemanha foi a primeira colocada com 33 medalhas de ouro.
Hitler se recusara a apertar a mão de um atleta negro do salto em altura, chamado Cornelius Johnson, e se havia retirado do estádio olímpico logo no primeiro dia. Jesse
Owens, um atleta americano negro, venceria, nos próximos dias, os 100m e 200m rasos, revezamento de 400m além do salto em distância. Tudo isso debaixo do bigode de Hitler, e na prova dos 200 m, com um alemão em segundo lugar. Owens mandou a supremacia de Hitler por água abaixo.
Porém, fez muito mais que isso, pois ajudou a aumentar o respeito dos cidadãos norte-americanos pelos outros afro-americanos.

Em 1968, tivemos outro caso histórico em olimpíadas, quando Tommie Smith e John Carlos, que ganharam ouro e bronze os 200m rasos, respectivamente, subiram ao pódio de cabeça abaixada e ergueram as mãos cobertas por luvas negras e punhos fechados. Era uma saudação Black Power, de apoio aos negros de seu país, que sofriam com a segregação racial. Ambos foram expulsos da delegação e da vila olímpica.

Vamos ver se haverá alguma manifestação de apoio ao Tibete nesse ano (acho que não, pois o Comitê Olímpico Internacional já se preveniu e proíbe qualquer atitude política de atletas durante os jogos, infração que é passível de desclassificação).

Alguns comentários sobre o Campeonato Brasileiro, que não para.
Como desce rápido o Flamengo!
E como nos surpreende o Vasco, que em 1 semana foi do inferno ao céu e voltou ao inferno.
E a torcida do Fluminense, que comemora a expulsão do próprio jogador?
E, finalmente, o único time do Rio em alta, o Botafogo, que parece ter encontrado uma maneira de atacar sem deixar muitos espaços, com Ney Franco. Com o técnico são 7 jogos, 4 vitórias, 2 empates, 1 derrota, 16 gols feitos e apenas 3 sofridos. Promissor!

Flamengo x Botafogo- Um jogo digno de se chamar "clássico"

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Antes do jogo, que contou com menor carga de ingressos para a torcida botafoguense, em virtude do mando de campo, o Botafogo vinha numa seqüência de 4 boas partidas, desde a chegada do técnico Ney Franco. O Flamengo vinha de 3 jogos sem vitórias, quando conquistou apenas um ponto de 9 possíveis, empurrado pela gigantesca faixa da torcida: “O brasileiro é obrigação”.

O Botafogo havia barrado o até então titular, camisa 10 e capitão, Lúcio Flávio, em detrimento de Zé Carlos. A idéia do técnico Ney Franco era postar Zé Carlos de modo a bater de frente com Léo Moura e Alessandro fazendo o mesmo com Juan, pelo outro lado, de modo a anular as duas principais armas do Fla.
O Flamengo vinha tentando se arrumar após as saídas de Marcinho, Renato Augusto e, por último, Souza. A dupla de ataque foi Obina, e o argentino primo do Messi, Maxi.

No primeiro tempo, não houve chances muito claras para nenhuma equipe, a exceção da primeira e da última.

O Botafogo começou atacando, logo aos 5 minutos, em chute de longe de Diguinho, bem defendido pelo goleiro Diego, que substituía Bruno. O Flamengo respondeu aos 13, numa falta levantada para a área, que obrou para Ibson, mas ele bateu fraco e facilitou a defesa de Castillo. Em um contra-ataque aos 25, Obina deu um passe de calcanhar para Ibson, que chutou no meio do gol. O Botafogo tinha dificuldades para entrar na área do Flamengo, e só ameaçou em novo chute de fora da área, dessa vez de Carlos Alberto.
Aos 35, em um novo contra-ataque, que era sua principal jogada, o Fla perdeu boa oportuindade, com Obina, que chutou para fora. Aos 43, outra jogada do Fla, finalizada por Ibson, mais uma vez nas mãos de Castillo.

Faltando 30 segundos para acabar o primeiro tempo, aos 46:30, outro contra-ataque do Flamengo, lançamento para Obina e falha de Renato Silva, que se enganou com o quique da bola. O ídolo da torcida rubro-negra dominou, com um toque passou por Castillo, e chutou de esquerda, sem goleiro. A torcida rubro-negra já comemorava, e a botafoguense já estava lamentando quando todos perceberam a bola saindo por cima da trave. O zagueiro Renato Silva mostrou aplicação, determinação e velocidade incríveis, e conseguiu salvar a bola. O primeiro tempo terminou 0x0, mas o Flamengo jogou muito melhor.

O segundo tempo começou como o primeiro, com um chute do Botafogo, aos 6 minutos. Wellington Paulista dominou e bateu para fora. Assim como Carlos Alberto, aos 8. Aos 13, Jorge Henrique foi lançado pela esquerda, driblou Diego, mas a exemplo de Obina chutou fraco e no meio do gol, onde estava o zagueiro Fábio Luciano. Na continuação do lance, um cruzamento de Carlos Alberto e a cabeçada do mesmo Jorge Henrique parou no goleiro Diego (pelo menos dessa vez foi o goleiro). Uma cobrança de falta do Fla, defendida por Castillo, aos 20, foi respondida com uma outra , pelo Botafogo, para fora, aos 27. Aos 30 minutos, Kléberson cruzou para Obina, que livre, cabeceou para fora. Ney Franco colocou o atacante Gil, no lugar do volante Túlio, e ele fez uma boa jogada aos 32, que terminou com uma finalização para fora de Alessandro.
O Botafogo mostrava maior vontade de marcar o gol, e quase o fez quando Wellington Paulista fez bela jogada, aos 34, matando no peito e finalizando de voleio. O chute, porém, parou na trave. Também aos 34, Obina chutou de longe para fora. Aos 38, um contra ataque do Flamengo terminou quando Eder, que entrara no lugar de Maxi, bateu por cima do gol. Obina saiu de campo vaiado, também aos 38. Aos 42, uma seqüência de cruzamentos do Flamengo, foi parar em Juan, que cabeceou da pequena área, para fora. Aos 47, numa chance que poderia mudar o jogo, Carlos Alberto driblou e bateu de fora, com perigo.

As duas equipes procuraram a vitória, e embora o empate tenha sido justo, o 2x2, ou 3x3 seria adequado.

Pelo lado do Botafogo, destaque para Carlos Alberto, que chamou a responsabilidade para si e não se escondeu do jogo. No Flamengo, destacou-se Juan (para variar).

De negativo, no jogo, apenas as declarações dos membros do Botafogo, de que é um ponto “fora de casa”. O Maracanã é a casa dos 4 times do Rio e o Botafogo não pode cometer o mesmo erro do Vasco, e usar apenas o Engenhão como a sua casa, e não considerar mais o Maracanã como tal. O resultado disso pode ser ficar 10 meses sem ganhar no estádio, como está o Vasco.

Times cariocas e suas ambições no Canpeonato Brasileiro

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Após 12 rodadas, algumas transferências, saídas de técnicos e, finalmente, dedicação exclusiva de todos os times ao Campeonato Brasileiro, faremos aqui uma análise dos times cariocas e suas aspirações no campeonato.

Botafogo
Depois de 2 técnicos, uma campanha até agora pífia, um artilheiro que ficou 14 jogos sem marcar e mais uma série de “coisas que só acontecem ao Botafogo”, a diretoria parece finalmente ter visto a baixa qualidade de seu elenco, e a incapacidade de Geninho manter um padrão de jogo. Para isso as contratações de Ney Franco, corajoso técnico que aceitou dirigir o time com apenas um dia de treino, e do ponta ( se eles ainda existem no futebol brasileiro) Gil , parecem ajudar bastante. Como de praxe, algumas apostas , como o argentino Zárate e Lucas Silva , que se destacaram nas segundas divisões dos campeonatos argentino e mexicano , respectivamente.
Pode brigar por uma vaga na Libertadores? Depende de como Gil e Carlos Alberto irão se portar no decorrer do campeonato. O mais provável é que consiga o “prêmio de consolação”, que é a vaga na Copa Sul Americana.

Flamengo
Costuma-se dizer que no Flamengo, 3 derrotas já criam um clima de rebaixamento, e 3 vitórias criam um clima de euforia de “rumo a Tóquio”. O que dizer de 8 vitórias? Com a melhor campanha de todos os campeonatos por pontos corridos desde 2003, o Fla mostra que tem elenco. A saída de Renato Augusto pode ser até positiva para o clube, se vier para o seu lugar o Danilo, ex- São Paulo mesmo. Um problema sério é a saída do artilheiro Marcinho para o futebol árabe. A idéia do excelente técnico Caio Júnior, de colocar Ibson para fazer a função de camisa 10, não parece que vai dar certo. Mas, como a fase no Fla está muito boa...
O Flamengo tem time para ser campeão, mas deve aprender com os erros do Botafogo no ano passado, e (o que parece ser difícil, em se tratando da Gávea) conter a euforia.

Fluminense
Um elenco recheado de estrelas, o favoritismo nas duas competições que disputou, porém, duas quedas para o Botafogo e uma para a LDU deixam o Fluminense com nenhum título em 2008. Com, talvez, os dois melhores atacantes do futebol brasileiro na atualidade (Dodô e Washington) , Thiago Silva, o melhor zagueiro, sem sombra de dúvidas e um dos únicos legítimos camisas 10, o Flu teria time pra ser campeão brasileiro. Contudo, jogou 8 rodadas fora, optando por usar o time reserva, para dar preferência à Libertadores e agora segue na zona de rebaixamento. O time está 12 pontos atrás do primeiro na zona de classificação para a Libertadores, e 17 atrás do líder, e provavelmente não conquistará o campeonato.
A vaga na Libertadores do ano que vem, contudo, é a meta , e pode ser conquistada.

Vasco
Com a eleição do presidente Roberto Dinamite e a conseqüente saída de Eurico Miranda, o Vasco tem, se não nesse ano, num médio a longo prazo, um futuro animador. Neste ano, mostra uma defesa frágil, um ataque bom, e um meio razoável. Leandro Amaral, Morais e Edmundo (esse último em apenas metade dos jogos) são os principais jogadores do clube, que deve usar bastante o fator casa, mas deve fazer figuração no campeonato em termos de título. É o pior elenco do Rio.
Não deve brigar contra o rebaixamento, e o mais provável é que consiga uma vaga na Sul Americana.

E , novamente , a soberba foi derrotada.

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É difícil falar de futebol sem usar todos aqueles chavões batidos como "futebol é uma caixinha de surpresas", "futebol não é uma ciênca exata" e outros do gênero.

A derrota do Fluminense na final da Libertadores parece ter acontecido para desafiar a criatividade de quem evita ultilizar essas frases feitas.

Como acreditar que precisando de 2 gols e num Maracanã lotado o Fluminense veria seu ímpeto ofensivo esfriado, primeiro por fotógrafos mal posicionados (!?), e depois, logo aos 5 minutos, em grande jogada de Guerrón, finalizada por Bolaños?

Como acreditar que na grande área, com tempo e espaço para ajeitar o corpo e escolher o canto, o artilheiro do tricolor, Washington, perderia a chance de empatar?

Como acreditar que, num chute despretensioso de Thiago Neves, e numa jogada rápida de arremesso lateral finalizada pelo próprio camisa 10, o Flu viraria o jogo?

Como acreditar que numa cobrança de falta o craque do tricolor se tornaria o primeiro jogador da história a marcar 3 gols numa final de Libertadores?

Como acreditar que, em uma defesa milagrosa, o experiente, porém criticado goleiro Cevallos salvaria um chute a queima roupa na pequena área , e ali começaria a decidir o jogo?

Como acreditar que a final da Libertadores iria para a prorrogação e, após um gol mal anulado dos equatorianos e 2 horas de futebol , Guerrón teria fôlego para dar uma arrancada de 70 metros, sofrer uma falta perigosa e "expulsar" o capitão tricolor, e um dos jogadores mais sensatos do Brasil , Luis Alberto?

Como acreditar que, após a cobrança dessa falta e a não-conversão da mesma em gol, o Fluminense, comemoraria a ida da decisão para os pênaltis?

E então, companheiros, vieram os pênaltis.
Fugindo novamente do clichê, para mim pênalti não é loteria. É, é claro, um pouco de sorte0, mas também é treinamento, experiência, catimba, momento psicológico...

Há um dado que diz que 60% das disputas por pênaltis são vencidas por quem inicia as cobranças. A Liga contava com essa ligeira vantagem. Urrutia marcou e Conca, um dos craques tricolores, perdeu para Cevallos. Ali , o goleiro equatoriano mostrava estar com confiança. O zagueiro Campos perdeu , e o jogo estava "psicologicamente" empatado. Porém, após o apito do juiz e a demora de Thiago Neves, Cevallos saiu do gol para "reclamar" com o árbitro, e acabou com toda a confiança do homem que ganhou o jogo. Na cobrança , Cevallos defendeu. Após o segundo da LDU, de Salas , Cícero marcou o único gol tricolor. Após o gol de Guerrón, Washington correu para a bola com a responsabilidade de já haver perdido um pênalti decisivo (contra o Botafogo , na final da Taça Rio) e bateu fraco para a defesa de Cevallos.

E a Liga foi o primeiro time equatoriano a ser campeão da Libertadores. Sem haver treinado pênaltis na semana anterior à final.

Para o Fluminense, e seu técnico Renato Gaúcho , fica a incômoda lanterna do Brasileiro e a lembrança de que esse ano, que poderia ser o maior da história do Flu, corre sério risco de terminar sem nenhum título .

Para nós , os jornalistas , fica a velha dificuldade de falar de futebol sem usar esses velhos chavões .