Ignorância: um conceito divertido

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Esta publicação foi escrita por uma leitora do blog. Ela está sempre lendo, e, ao fazer uma crítica ao A Brecha, pedi que escrevesse por mim desta vez. Foi o que aconteceu.

Observação: Dúvidas, Críticas e Reclamações mande para: menteabertacp2@gmail.com, ou comunique-se com um dos escritores.

Agredeço aos leitores, e à Mah, em específico, hoje.

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Primeiramente, créditos ao g.winme, como é conhecido aqui. A pessoa que me deu a idéia de escrever sobre ignorância enquanto conversávamos. Ao decorrer de nossa conversa eu disse o quão confusa sou, disse-o sobre minhas infindáveis dúvidas, mesmo que sejam sobre coisas simples.

Ele me parabenizou por não ser ignorante.

Com isso ele deixa um sentimento explodindo dentro de mim, não sei exatamente aonde, não sei onde os sentimentos ficam - mais uma das minhas infindáveis dúvidas -, fiquei curiosa; porque não sou ignorante, e o mais importante: O que é ser ignorante?

Perguntei por que achava aquilo. Perguntar somente "Por quê?" talvez seja tolo, pois podem haver inúmeras respostas para essa mesma pergunta, pois ela muda de pessoa para pessoa, talvez a mesma idéia possa ser partilhada. É algo realmente inesperado.

Muitos talvez simplesmente recebessem o elogio (bom, eu o considero um elogio) e talvez o agradecesse, por medo de que perguntando mais detalhadamente sobre, o mesmo seja revogado. Talvez seja mais simples e fácil, concordam? Facilidade não é algo que realmente aprecio, infelizmente (ou felizmente, quem sabe?).

Sim, sou realmente curiosa, talvez isso um dia possa me matar, como matou o gato. Mas acredito no fundo que o gato morreu feliz, emocionado, excitado, por querer descobrir algo e morrer a favor disso, algo que realmente aprecio e adoro. Uma morte desejável, pelo menos aos meus olhos.

Sim, o perguntei por que achava aquilo e ele me respondeu com a seguinte frase: “Você não aceita as coisas como aparentam ser”. Surge-me outra dúvida; como as coisas aparentam ser? Mas isso não fora discutido com ele, e iremos falar sobre agora. Como as coisas aparentam ser? Como nos ensinaram ainda jovens? De que um animal peludo, com um focinho, quatro patas, duas orelhas, uma língua entre outras propriedades é um cachorro? Que aquele animal nojento que vive debaixo da terra é uma minhoca? De que quando alguém mata outro está errado? Que gays são um pecado? Que tude que aparece na TV é legal? Que somente o fato de tal roupa ter uma seguinte etiqueta com tal nome quer dizer que é superior as outras? É assim?

Talvez as coisas aparentem ser como aquelas que nos ensinaram quando éramos crianças, quando nos entregaram um livro cheio de imagens com lacunas abaixo delas para serem preenchidas. Quando nos apontaram algo na rua e nos disseram o que era. É assim? Provavelmente... há inúmeras possibilidades e repostas. Isso me recorda uma experiência que tive ainda esse ano, quando numa aula de ciências a professora nos apresentou uma imagem de um indígena meio que emergindo da água. Ela nos fez a seguinte pergunta: “Onde esse índio se localiza?”. Todos, exceto eu, responderam que ele se encontrava num rio, era o óbvio, não era? Porque eu também não respondi isso? Porque havia outras possibilidades, ele podia estar simplesmente numa piscina, num mar, num brejo, num lago, ou qualquer outra coisa parecida, por que não? “Porque ele é um índio oras, deixe de ser idiota, Mah”. E qual é o problema? Índios tem acesso privados de alguma dessas coisas por acaso? Do jeito que as coisas andam é bem mais provável que seja mesmo uma piscina do que um rio. Uma foto tão bem tirada, provavelmente por um profissional não poderia ser somente encenação? Como acontece o tempo todo na televisão? Aparentemente só eu enxerguei essa possibilidade.

No final eu estava errada quanto à minha idéia, mas não me senti errada, pois pensei muito além do que estava óbvio. Está bom, quando pequena eu realmente aprendi que índios são pessoas de pele avermelhada que andam pelados, usam penas na cabeça, comem peixes pescados em rios e outras plantas na floresta . Aprendi, mas também aprendi que generalizar é errado.

Este é somente um simples exemplo, esse tipo de coisas pode e deve ser aplicado em situações mais sérias, mais complexas. Mas é do baixo que se começa, não é mesmo? Primeira uma letra, depois uma palavra, depois uma frase, parágrafo, texto, livro, série... Até o findar de nossas vidas. E assim por diante, pelas gerações adiante.

Conseguiram entender? Dar-lhes-ei um conselho. Não foi eu a primeira a dizer, na verdade não faço idéia de quem o disse. Talvez vocês o achem até bobo pois o aprendi num filme infantil, mas, para mim, ele é realmente precioso:

Deixe a mente bem aberta.

Abraços.

Escrito pela leitora Mah, e publicado por g.winme.

2 Responses to "Ignorância: um conceito divertido"

Matheus Says :
21 de julho de 2008 23:59

gostei do testo
mas quem é Mah?

Marcelo Says :
24 de julho de 2008 14:17

"Mas acredito no fundo que o gato morreu feliz, emocionado, excitado, por querer descobrir algo e morrer a favor disso, algo que realmente aprecio e adoro. Uma morte desejável, pelo menos aos meus olhos."

Abraço esta causa! Aos meus olhos também!

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