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Nasceu anjo...

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                 Nasceu anjo. No momento em que chegou a esse mundo, as forças celestes decidiram que aquela criança estava destinada a exercer uma função: ser o anjo da guarda de inúmeras pessoas. No entanto, parecia bastante inusitado uma criatura já nascer anjo no mundo dos humanos, não? Então decidiu-se que aquele seria um humano que passaria a sua vida a exercer a função de um anjo, até que um dia as forças dos céus vissem que seria justo levá-lo para um outro plano, para que fosse um verdadeiro anjo, no seu verdadeiro sentido. Passou a vida protegendo a todos que pareciam necessitar e que estavam à sua volta. Passou por ingênuo, bobo, mas ele sabia o que estava fazendo: caridade. Ele sabia que tinha uma missão nessa vida, e essa missão era a de fazer caridade, sem ver a quem ou porque, mas simplesmente porque era aquilo que achava ser certo. Foi o anjo da guarda de muitos, mas em um dado momento, com o nascimento da primogênita de suas netas, percebeu que queria ser um anjo da guarda de uma só pessoa, apesar de proteger também as que estavam à sua volta. Ele cresceu e se doou para essa menininha, devotando cada minuto dos seus dias, cada respiração, a fazer daquela menina uma pessoa feliz. Quando viu que essa menina sabia andar com suas próprias pernas, que já podia segurar as questões da vida, conversou com os céus e percebeu:
            - Agora posso ser um anjo no sentido pleno desta palavra. Não é mais necessário habitar esse plano para proteger essa garotinha. Irei para um outro plano, farei de mim um verdadeiro anjo, mais forte, e ficarei olhando por ela desse lugar, me comunicando com ela através de seu coração.
              E assim, ele se tornou um anjo verdadeiro, que anda sempre com essa menininha e, ao cair da noite, senta-se na cadeira do quarto dela, para protegê-la dos maus sonhos e ajudá-la a levantar bem no dia seguinte. Essa cadeira está do lado da porta do meu quarto.


Glub Glub

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(Sem humor negro, por favor, obrigada.)

Não posso escrever por um tempo porque não tenho sapato com sola antiderrapante. O rio alagou a minha rua e me deixou ilhada. O prefeito disse que eu podia levar uma vida normal, e no mesmo dia fiquei cinco horas presa na Linha Amarela.
Quer saber? Engenharia Naval "tá" em alta agora! Tio, me vê um barco?

Razão - Parte III - 1964

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ATENÇÃO! PRESTE MUITA ATENÇÃO!: Continuação da parte II de Razão

- Ai, o que roça no meu rosto? Ratos!!!
Enquanto Aquiles, desesperado, se distanciava o quanto podia dos ratos, o vigia, do lado de fora, não podia conter seu riso.
- Foste tu! Não é, desgraçado? Ainda há de me pagar! Escreve o que te digo!
Mas o vigia nem ligou, e como se houvesse coerência entre os dois assuntos, mandou Aquiles se arrumar, pois Media estaria pronto para vê-lo em sete minutos.
- Do que teria que me aprontar? Só possuo os trapos que me vestem e o pensamento que ainda me faz pensar no que devera e não deveras também. Seus hipócritas imundos! Vão para o inferno!
- E já não estamos nele? – Sorriu o carcereiro com um leve tom de sarcasmo.
Ao encontrar Media, Aquiles não se conteve e iniciou o diálogo:
- Vamos às regras! Sem trapaças, por favor! Confiarei em tua honestidade, creias que não é algo comum de acontecer, acredito em tua credibilidade e rezo para que minhas conclusões não se revelem falsas.
-Que pensas que és? Achas que pode dirigir-me tais palavras assim, deliberadamente? Não sejas insolente! Reduza-se à tua insignificância, meu servo! Iniciemos agora o desafio. Quando quiser que tenhas a voz, avisarei a ti com certeza. No entanto, permaneça calado até que eu diga que não fiques mais nesse estado. Está claro? Quando eu me dirigir assim a ti, poderás responder à pergunta...
- Sim, mestre, senhor dos senhores, rei dos reis, monarca dos monarcas, tirano dos tiranos, ditador dos ditadores, demônio dos demônios que habitam o inferno e dos anjos que têm o céu como moradia.
- Tal deboche também me desagrada, mas prossigamos, o desafio demanda o seguinte: não poderás pedir ajuda a ninguém durante o tempo que passarás fora de teu ninho de pombos. Estarás livre para recusar ou aceitar as minhas ofertas, desde que me respeites como a um pai, um ancião rico em sabedoria.
Um minuto de silêncio instaurou-se no local.
- Vejo que sabes cumprir ordens, muito bem! És um verdadeiro servo de teu senhor!
Aquiles olhou de uma forma desprezível, que logo fez Media retomar o assunto do ainda diálogo anterior
- Havia dito a ti que não poderias comunicar-se sem minha permissão. Olhares como o que acabaste de dar são singelamente comunicativos. Vejo que és mais rebelde do pensava, há de dar-me muito trabalho, mas gosto de problemas, com eles sinto a vitória de achar suas soluções, não é mesmo?
- Prefiro não responder!
- Tens total liberdade para tal. Agora, mostrarei a ti a primeira parte de teu desafio: uma preparação.

Vermelho ou amarelo? Medicina ou Direito?

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O ser humano é, por sua natureza, cheio de dúvidas. Ele precisa fazer escolhas que irão determinar o se futuro e o de muitas pessoas à sua volta (Efeito Dominó).
-Somos senhores do nosso destino.
No entanto, altas cargas de responsabilidade levam a fortes inseguranças, que trazem uma angústia absurda quanto à ideia de que "Será que a minha escolha é a certa?" ou "Será que isso que parece ser certo para mim agora terá consequências drásticas no futuro?".
Você, jovem, deve estar se perguntando...
- Será que existe alguém que possui esse mesmo tipo de dilema que tanto me inquieta?
Sim, meu caro, e um filósofo. Jean Paul Sartre, criador da dialética sartreana, pensou tudo isso que tanto inquieta a nós, jovens, que estamos prestes a fazer a escolha de nossas vidas: uma função no mercado de trabalho.
A dúvida pode parecer um sinal de fraqueza, mas não é, pois prova que não somos pessoas que aceitam decisões alheias. A dúvida mostra a você, leitor, que VOCÊ é sim o senhor do seu próprio destino. Deixo claro que não quero gerar uma rebelião com inúmeros familiares vindo, posteriormente, bater à porta desta adolescente revolucionária, pelo contrário.
O objetivo deste post não é mostrar a você as soluções dos seus problemas, mesmo porque eu não as tenho. Uma vida sem problemas não existe. Apenas pense positivo, fique confortável, porque se você refletir bem, olhando para dentro de si mesmo, você encontrará as soluções de suas vidas. Elas trarão pontos negativos? Sim, mas o que não trás?

"Fly to a dream
Far across the sea
All the burdens gone
Open the chest once more
Dark chest of wonders
Seen through the eyes
Of the one with pure heart
Once so long ago"

Dark Chest of Wonders - Nightwish

Razão - Parte II - Aqui agora

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ATENÇÃO, PRESTE MUITA ATENÇÃO: Esta é uma continuação da Parte I postada há alguns meses...

- ROOTS, BLOODY ROOTS!
Assim soava o despertador de Aquiles, ao som de sua banda de Heavy Metal favorita. Sepultado em sua cama, Aquiles de um salto, tomando um susto que fez seu coração bater mais freneticamente que nos solos do xará baterista de uma banda brasileira de renome, levantou de repente.
- Nossa! Salve! Tudo foi um sonho! Aquiles, acho que a comida de Helena está começando a te afetar, moleque! E riu de si próprio. No entanto, não havia muito tempo para papo, sua aula de teoria da política estaria começando em apenas uma hora. Devia se apressar que queria chegar a tempo de evitar mais uma das gracinhas sobre retardatários retardados de seu amável professor.
- Maninho, já acordou! Seu café está pronto! Se você não tivesse uma menina tão legal que cuidasse tão bem de você tava ferrado, não é? Falando nisso, me empresta 20 reais? Sabe o que é, né? Desde que papai e mamãe foram para a Grécia tenho ficado lisinha, fofo!
- Interesseira! Bobona! Devia fazer essas coisas por gostar de mim, não por algo em troca! Mas toma e vê se não me enche mais, ouviu?
- Já disse que te amo, maninho?
- Larga de ser boba e vai fazer o que tem que fazer que vou tomar meu café e correr para poder ficar entre quatro paredes com o professor que mais amo nessa vida!
Depois de uma manhã estressante na faculdade e uma tarde cansativa em seu estágio, Aquiles voltou para casa...
- Vou comer qualquer porcaria que tenha pela geladeira! A preguiça falou mais alto, preciso mesmo é dormir! - E entregou-se ao sono de roupa e tudo!

Razão - Post I

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Ao leitor:
Este livro não é um livro qualquer. Os maiores conhecedores do mundo virtual saberão do que falarei a seguir: O Poder da Razão é como se fosse um jogo de riddles, ou seja, enigmas. O nome de cada capítulo dá uma dica da mensagem subliminar que está por trás da estória ali apresentada. Ao amadurecer seus pensamentos, entenderá mais do que a simples história de Aquiles.


Capítulo I - Aliens
- Não, não estas sonhando, Aquiles! Tu estas numa redoma de vidro! Sou teu mestre, teu pai, teu amigo mais fraterno, daqui de fora, sou aquele que controla a água que tu bebes, o alimento que tu comes, tudo o que vês e aprendes. Meu querido ser, me chamo Media e sou rei de todas as maravilhas que tentas observar dentro de sua pequena gaiola incômoda. Lanço um desafio que te libertarás de tal situação. Mas, se não fores bem-sucedido em sua tentativa, serás punido por meus fiéis escudeiros: os mercenários de Cidade Morta. Topas o desafio ou preferes tua situação atual?
- Não apenas topo o desafio como garanto que serei digno de liberdade. Farei o possível e o impossível para sair deste reino de trevas, onde me sinto reprimido por um rei como o senhor, meu reino, em contrapartida dos altos muros que cercam esta terra perdida, é livre e belo.
- Se eu fosse tu, não cantaria vitória adiantadamente. Meus desafios são complexos demais e poucos são aqueles que resistem a tal dilaceração do pensamento. Continuas em concordância com sua aceitação anterior?
- Sou homem de palavra. Espero que também sejas digno de minha confiança.
- Prometo cumprir o que foi combinado, mas não estou aberto a nenhum outro tipo de requisição posterior... Comecemos então amanhã pela manhã! Agora à noite, dar-te-ei uma distração imensamente agradável: assistiras aos confinados como você, mas em situação melhor sem dúvidas. Assim, conheceras um pouco o prisioneiro de que és próximo. Sem mais delongas retiro-me. Amanhã, traçarei as regras do desafio. Sugiro que tu as sigas para seu próprio bem.
- Obrigado pelo conselho, meu “mestre”! Não há palavras mais admiráveis que estas que soam tão boas e... falsas! Mas concordo, sem delongas, vou assistir a meus companheiros porque não faz nenhum mal a mim. Boa noite!
- Buscas verdade? É o que terás! Que tua noite seja dilacerante!
Ao dizer estas últimas palavras, Media se retirou, com a mesma superioridade que sempre aparentava. Aquiles permaneceu ocioso por longo tempo, até que um dos prisioneiros trouxe a tortura do dia: o vídeo dos outros prisioneiros. A noite acabara de começar, mas seria bem longa pelo visto.
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Sabe quando você está passando por uma overdose de criatividade e almeja canalizar aquilo em algo útil? Pois é, estava assim durante minhas férias passadas, e pensei em escrever um livro. Mas, para variar, acabei desistindo depois de apenas alguns capítulos. No entanto, gostaria de dividir esta minha idéia com vocês, leitores, que estão saudosos dos textos de Mahatma Naiads. Postarei a história em partes, capítulo por capítulo. Esta história apresenta uma continuidade, que exige a leitura do capítulo anterior para a compreensão do próximo... Ao final, irei propor uma surpresa e um desafio aos meus leitores mas, para saber do que se trata, só lendo os textos que irei postar a partir da semana que vem...

Para refletir, deixo o seguinte pensamento que tive recentemente:
"Será que aquele que aceita a realidade sem questioná-la é alienado? Porque se o conhecimento não é possível, aquele que não o procura, não pode ser alienado, já que se priva de algo que filosoficamente não está comprovado. No entanto, aquele que não questiona não tem dúvidas, pressuposto número um do pensamento cartesiano."

Um grande abraço!

M.N.

100% de chances do seu coração estar batendo...

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Acertei? Pois é! No Domingo, li um texto interessantíssimo no Estadão e gostaria de compartilhar com vocês, leitores de Mahatma Naiads...
É de um autor brasileiro muito bem humorado, de que gosto muito: João Ubaldo Ribeiro...
Vale a pena!

Os números não mentem (João Ubaldo Ribeiro)

Os números têm o dom de intimidar as pessoas. Se alguém disser, por exemplo, que a maioria das mulheres casadas é infiel, haverá à mesma mesa quem o conteste imediatamente. Mas, se a afirmação for que 57,8 por cento das mulheres casadas são infiéis, a respeitabilidade da informação é rapidamente estabelecida, embora, é claro, tanto uma assertiva quanto a outra possam não passar, como no caso, de chutes sem o menor respaldo na realidade. Dizem que um matemático uma vez confrontou Diderot, o enciclopedista, que era ateu, com a sentença “a+b=x, logo Deus existe”. Diderot teria embatucado, vencido pelo aparente rigor científico da afirmativa, que, naturalmente quer dizer apenas que a soma de dois números determinados é igual a um terceiro e é preciso ser bastante panteísta para acreditar que Deus está envolvido no assunto.

Além disso, fomos acostumados a ouvir e repetir que os números não mentem. Mentiriam, neste caso, as palavras, enquanto os números, com toda a exatidão que sugerem, seriam sempre confiáveis. Mas é óbvio que nem números nem palavras mentem. Quem mente são as pessoas que usam esses números e palavras. E mentem com tamanha desfaçatez que trazem uma péssima reputação à pobre ciência estatística, que já foi e continua vítima de toda sorte de vilipêndio, tais como o que a descreve como a arte de mentir com precisão ou aquela que leva um sujeito a afogar-se num rio com a média de 50 centímetros de profundidade. Não é bem assim, mas às vezes parece ser.

No dia a dia das notícias, as estatísticas nos perseguem, até porque, jogadas a torto e a direito, entram em frequente contradição umas com as outras, ou, o que é ainda mais aflitivo, com a realidade que defrontamos. Estarão mentindo, ou o que vemos e ouvimos não passa de uma impressão paranoica? Que estarão querendo dizer com “o brasileiro médio”, “a dona de casa de classe média” ou “os ricos” ou qualquer outra das centenas de categorias em que nos dividem o tempo todo?

Bem, não vou dar aula de estatística aqui, até porque me falta qualificação e o que sei dela já lá se vai em aulas longínquas, nunca mais rememoradas. Mas encontrei, esquecidas num dos socavões do computador, algumas notas que tomei para mostrar o uso sem-vergonha das estatísticas, que nos pega todo santo dia. Não sei de onde tirei originalmente essas notas e, se são trabalho alheio, me apresso em agradecer, embora não saiba a quem. O objeto escolhido para a “pesquisa” é o pão e o objetivo é provar que ele faz mal. Os percentuais citados não são reais nem têm importância. É com truques como esses que nos empulham e aterrorizam todo santo dia. Aí estão os resultados “estatísticos” para a pesquisa sobre o pão. Os números não mentem.

1. 100% dos consumidores de pão acabam mortos.

2. 98,3% dos presidiários que cumprem pena por crimes violentos são usuários de pão.

3. 85,2% de todos os alunos do ensino médio que obtêm resultados insatisfatórios nas provas consomem pão diariamente.

4. No século XVIII, quando todo o pão era preparado nas próprias residências dos consumidores, a expectativa de vida média era de menos de 50 anos. As taxas de mortalidade infantil eram absurdamente elevadas, muitas mulheres morriam de parto e doenças tais como as febres tifoide e amarela dizimavam cidades inteiras.

5. 92,7% dos crimes violentos são cometidos dentro de 24 horas depois da ingestão de pão.

6. O pão é feito basicamente de farinha de trigo. Está provado que menos de 500 gramas de farinha de trigo são suficientes para sufocar um rato. O indivíduo médio, que consome dois pães de cinquenta gramas por dia, terá ingerido, no final do mês, farinha suficiente para ter matar seis ratos.

7. Sociedades tribais primitivas que não fazem uso do pão apresentam baixa incidência de câncer, do mal de Alzheimer, de Parkinson e de osteoporose.

8. Está provado estatística e cientificamente que o uso do pão causa dependência física e mental. Pesquisa feita em voluntários revelou que 99,8% daqueles que foram submetidos a uma dieta forçada, somente à base de água, imploraram por pão, em três dias ou menos.

9. O pão é um alimento frequentemente utilizado em conjunto com outros alimentos pesados e prejudiciais à saúde, tais como a manteiga, queijo, geleia e embutidos, todos ricos em gorduras e colesterol.

10. Testes científicos comprovaram que o pão absorve a água. Partindo da premissa de que mais de dois terços do corpo humano são água, todo aquele que ingere pão corre o risco de sofrer desidratação grave.

11. O pão é assado em fornos cujas temperaturas são mantidas acima de 200º Celsius. Essa temperatura pode matar um ser humano adulto em menos de um minuto.

12. 58% dos indivíduos que consomem pão são totalmente incapazes de distinguir entre fatos científicos comprovadamente significativos e baboseiras pseudoestatísticas sem sentido e manipuladas, como esta.

Claro nós não estamos nesses 58% (ou 58,4 ou 46,9), nós somos prevenidos contra esse tipo de coisa. É verdade. E assim me despeço, congratulando-me com todos vocês, pois 97,6% dos que leram esta coluna no domingo passado se mantiveram a semana inteira com a saúde estável e sem problemas no trabalho.


Abraços aos leitores!

Está perto de meia noite...

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Overdose: essa é a única palavra que pode definir a quantidade de informação do rei do pop, Michael Jackson, que vem rolando na mídia. Todos os canais cobrem de tudo! Desde investigações até o enterro, ao vivo e a cores, e a população fica ávida por ver uma cerimônia que nem o corpo do astro mostra... Para completar, muitos lamentam que a cerimônia não tenha tido tanta audiência quanto a posse do atual presidente da superpotência capet...oops, capitalista Barack Obama... Lamentável as pessoas quererem comparar uma posse presidencial com a morte de alguém... No entanto, a mídia tem a incrível capacidade de transformar uma tristeza por perder um ente tão talentoso, em um cansaço por conta da avalanche de informação sobre o cantor. Já criaram teorias de que ele estaria vivo, que era truque de marketing; de que o fantasma dele tem aparecido em Neverland; de que ele foi assassinado. Sinceramente, acho que se esse fosse um truque de marketing, a quantidade de pessoas que odiariam o rei do pop depois, por ter criado essa tensão toda, iria levar seu sucesso por água abaixo. E o pior é que nem falecer em paz ele pode, porque ficam milhares de pessoas dizendo que ele está vivo, que ele não morreu, ou não estava no caixão. Pelo amor de deus! Deixem ele em paz! As pessoas esquecem de pensar no sofrimento pelo qual ele passava. E até quando morre, tem que sofrer mais um pouquinho, em meio a investigações, especulações...Impressionante! Admito que acho teorias da conspiração como a de Elvis e Paul McCartney muito interessantes, mas se fosse um truque de marketing, a volta dele seria sim chocante, mas também algo de tão mau-gosto que os fãs iriam reprovar totalmente. Acho que é um pouco extremo pensar numa conspiração depois de ver sua filha, numa explosão de emoção, falar do quão admirável era seu pai. Foi algo tocante!
O que me irrita mais é o fato de que muitos dos mesmos que anos atrás criticavam o cantor por conta de acusações de pedofilia (que eu julgo totalmente falsas, sinceramente), hoje fazem homenagens calorosas ao artista. Homenagem: é sempre bom, mas hipocrisia...Acho que já tem demais no mundo para a gente querer mais, não é?
Ao meu ver, MJ tinha um tipo de complexo de Peter Pan. Ele perdeu sua infância por conta de um pai que o colocou no mercado de trabalho cedo demais (assim como ocorreu com Brooke Shields, atriz que inclusive já namorou o rei do pop) e isso o fez crescer de forma reprimida. Por isso, ele queria ter o contato com crianças, algo que ele nunca teve. No fundo, não queria envelhecer.
Um amigo meu, João Vitor Silva, apresentou-me argumentos muito bem fundamentados e que fazem todo o sentido: se você notar o que ele fazia com as crianças era o mesmo que você faria com seu coleguinha de quarta série. Para os adultos era absurdo, mas com a sua inocência infantil, aquilo não tinha nada de mais. Quantas vezes amigos não dividem camas, jogam videogames?
Quanto à aparência, foram inúmeras as pessoas que disseram que ele tinha vergonha de ser negro e coisas do tipo. Eu acredito que por conta da doença dele deixar sua pele predominantemente branca, ele achou mais simples aceitar essa cor por inteiro. Inclusive, foram inúmeras as vezes em que ouvi dizer que o pai criticava seu rosto e nariz porque o primeiro tinha espinhas e o segundo era muito largo. Isso gerou uma criança traumatizada, que acabou fazendo plásticas mil para cobrir esse monstro que o pai o fez enxergar. Sua auto-estima era muito abalada.
Os remédios foram um caso à parte: se você sente dores, é inevitável buscar um conforto. Aqueles remédios melhoravam sua situação, suas sensações, eram uma forma de alívio. No entanto, por conta de uma serie de transtornos depressivos que MJ parecia ter, pode ter exagerado na dose em alguns momentos de desespero, o que foi debilitando seu organismo já enfraquecido pela má alimentação que também tinha. No fundo, tudo isso está ligado à auto-estima de Michael, à sua aceitação, e principalmente, em apagar aquele monstro que o pai o fazia acreditar que existia.
Espero que a mídia e a população parem de sufocar a família do astro e também a todos nós com esse fluxo contínuo de informações, teorias, explicações... Será que uma pessoa precisa morrer para ser lembrada? Será que ela precisa morrer para que seus discos sumam das prateleiras? Parece até um pouco mórbido pensar em algo do tipo...
Descanse em paz, rei do pop! Logo a mídia vai deixá-lo viver de forma melhor... Eu sei que vai... Ela sempre faz isso...

Who’s bad?

Um grande abraço!

Mahatma Naiads

A Agord od Oãrdap

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Durante uma das minhas conversas com minha terapeuta, percebi um assunto que ignoramos, mas é muito interessante de ser abordado: padrões. Desde padrões de estudo, padrões de pesquisa, até padrões de alimentação e etc. Vivemos no meio de milhões de padrões. Alguns são meras convenções, que servem para instaurar alguma ordem, e evitar a situação caótica que acabamos vivendo mesmo assim. Outros são padrões pessoais, subjetivos, obsessivos ou não, mas são definições de uma mente que busca uma certa perfeição. (Opa, acabei de entregar em que grupo me encaixo).
Por mais flexível que uma pessoa seja, ela sempre estará seguindo algum tipo de padrão. Comer pão com manteiga no café da manhã é um exemplo de padrão que já ganhou tanta naturalidade que acabamos por não questionar. Mas, se um dia você quiser almoçar no café da manhã, nada te impede, concorda? O problema não está em seguir padrões, e sim em ser totalmente inflexível em relação a eles. Já dizia minha bisavó:
- Todo excesso é nocivo.
E tenho que concordar completamente. É saudável seguir padrões, pois eles facilitam muitos aspectos de nossa vida, poupam tempo, pois já estão lá e só precisamos seguir. No entanto, transformar sua vida num grande conjunto de padrões é o grande problema. Você vive numa prisão, não tem liberdade alguma, pois fica preso a definições, crenças próprias ou de terceiros que impedem que você possa pura e simplesmente ser feliz!
Algo que eu gosto muito de abordar é a temática do padrão de beleza, pois, tenho que admitir, sou uma vitima frustrada dele. Consagramos algumas divas e deuses por sua beleza como se eles fossem um ideal a ser seguido, e esquecemos a nossa individualidade. Buscamos uma perfeição que não existe, queremos ser algo que não somos na realidade.
Algo que reflete muito bem esta idéia é a grande avalanche de dietas que entram e saem de moda, prometendo o corpo de celebridade tal, ou a barriga chapada de fulaninha de tal. Será que essa revistas esquecem que todos somos diferentes? Que nunca teremos o corpo exatamente igual ao de outra pessoa? Nem com mil plásticas isso é possível. Outro dia, li na revista Istoé sobre uma mulher que se submeteu a dezenas de procedimentos cirúrgicos para ficar igual a uma cantora famosa do EUA. Tudo bem, se quer fazer isso, seja feliz! Mas, você nunca vai ser igualzinha aquela pessoa, vai se frustrar com isso. Então, por que não pode aceitar e ser quem você é? (Quem me conhece vai entender esse comentário em off: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”...)
Vivemos numa era em que a incidência de transtornos alimentares aumentou estapafurdiamente por conta de um padrão que a mídia impôs: o belo é ser magérrima, ter um corpo escultural. Estou generalizando um pouco, mas se você fizer uma pesquisa vai notar que praticamente uma unanimidade gostaria de mudar algo em seu corpo. Essa insatisfação é o reflexo de um sentimento de estar fora dos padrões que a mídia impõe como normal. No entanto, o normal é ser diferente. Não é normal viver de dietas para ser algo que você, naturalmente, não é. O normal é se aceitar do seu jeito, sem querer imitar pessoas cristalizadas pela mídia. Muitos dizem que devemos mudar o padrão de beleza. No entanto, a Dra. Marle Alvarenga, nutricionista especializada em Tas defende uma outra idéia: a de que não devemos mudar o padrão, e sim parar de seguí-lo, aceitar a nós mesmos exatamente como somos. Pense só: se o padrão virasse Mulher Melancia, por exemplo, o quanto teria de mulheres frustradas porque geneticamente nunca terão coxas como aquelas, nem que malhem e comam muita proteína e carboidrato.
Padrões sempre vão deixar algum grupo insatisfeito. É impossível agradar a todos! Então, por que não começar agradando a você mesmo?

Guerra dos Sexos

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Depois de uma temporada sem postagens, volto para defender meus pontos de vista...
O assunto em voga começou durante uma aula de filosofia do colégio marcada por disputas de opinião. Agora, mostro o meu ponto de vista. Agradeço ao meu amigo Yuri Duarte, que discutiu tal ideia comigo gerando os apontamentos a seguir...

Não sou sexista, tampouco me sinto inferior em relação ao sexo oposto. Mas uma coisa que me incomoda é a recorrente briga entre os sexos. Mulheres brigam por direitos iguais. Homens protagonizam discursos que revelam algumas mentes bem machistas. Mas no fundo, quem está certo? Sinceramente, em minha opinião, nenhum dos dois. Sou do sexo feminino, e tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas muitos definem meus pontos de vista, como os mesmos de um “macho babaca”. Concordo que as mulheres se sintam ameaçadas, pois tempos atrás seus direitos eram bem restritos. No entanto, hoje em dia, no geral, não temos mais esse tipo de preconceito sexual. As mulheres tem tido um tipo de complexo de inferioridade, talvez um artifício para que consigam o que querem à base de uma chantagem emocional proveniente de uma restrição de tempos passados. Não gosto de dizer-me inferior aos homens, no entanto, também não prego a igualdade, porque seres vivos tão diferentes não podem ser definidos de forma igualitária. Força física é um exemplo: sou lutadora de boxe e já lutei com vários homens, e é biológico definir que a força física do homem é maior do que a da mulher, isso é fato! Não adianta querer se mostrar superior neste aspecto porque o sexo masculino tem uma hipertrofia melhor desenvolta. Do mesmo modo que a mulher tem uma emotividade mais aflorada, sendo mais sensível a coisas rotineiras que envolvem nossa sociedade. No entanto, estas são generalizações, há mulheres muito fortes assim como há homens sensíveis. Não se deve considerar uma distinção entre sexos, e sim entre pessoas, que são completamente distintas entre si. Outro aspecto que muito me incomoda, o cavalheirismo. Não vou negar que acho lindo o ato de um garoto abrir a porta para mim, ou mesmo puxar a cadeira para eu me sentar. Mas o que não é o “primeiro as damas”? Uma prova de que as mulheres ainda não querem uma igualdade. No dia em que as mulheres pararem de sentirem-se inferiores, não haverá mais tal idéia de superioridade x inferioridade dos sexos.

(LUTO) Protesto contra o Sistema

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Estava voltando de uma viagem a Paraty com meus colegas de escola quando, ao chegarmos ao colégio, recebemos a notícia do falecimento de uma colega. Em meio a uma atmosfera de tristeza, homenagens e indignações, recebemos a noticia de que havia sido por um problema de saúde. Esta doença não era tão grave, mas tornou-se à medida que a menina não recebia tratamentos adequados. Isto se devia a um sério problema de distribuição de renda em nosso país que criava a necessidade de que ela procurasse o serviço público de saúde. Passando por vários hospitais, a menina teve sua saúde negligenciada. Uma menina que mal havia chegado aos 15 anos, que tinha toda uma vida pela frente, perder a vida assim, de uma forma tão triste. Imaginem o sofrimento dos familiares, da mãe, do pai, ao perderem alguém por conta de um dos problemas mais sérios e graves de nossa atualidade: má distribuição de renda. Nem todos têm acesso à rede privada de saúde, tendo planos de saúde ou afins. No entanto, o certo seria termos uma rede pública eficiente, com médicos de qualidade. Não quero dizer que todos os médicos da rede pública sejam incompetentes e muito menos que todos os médicos da rede privada tenham uma qualidade inquestionável, mas é triste perceber que há tantos profissionais mal preparados que, por negligência médica, acabam acarretando na morte de inúmeras pessoas, que necessitam do sistema público para cuidarem de sua saúde.
Vivemos num país em que a saúde e qualidade de vida não são prioridades. Na verdade, quem dera houvesse este tipo de problema em apenas em um país, seria mais fácil de corrigi-lo. Mas esta falta de investimento é um miasma que infecta uma quantidade absurda de países deste nosso mundo global. O lucro, o comércio, o capital, são os elementos mais importantes e primordiais. Investimos em indústria, comércio, tecnologia, mas esquecemos da saúde e da educação, por exemplo. Esquecemos das necessidades primárias. Impressionante que em meio a uma atualidade em que se descobrem inovações científicas e tecnológicas a todo momento, as pessoas possam ser vítimas de erros e problemas que parecem ser tão rudimentares. Por isso, neste post, declaro luto pela vida não só de uma, mas de inúmeras outras pessoas que podem ter sido vítimas deste mesmo sistema. Descansem em paz....


“ What’s wrong with the World, mamma
People living like they ain’t got no mamma
I think the whole World is addicted to the drama
Only attracted to the things that will bring your trauma (…)

(…)People killing, people dying
Children hurt, I hear them crying
Can you practice what you preach
Could you turn the other cheek-
Father, father, father, help us
Send us some guidance from above
‘Cause people got me, got me, questioning
Where is the Love? (…)”

(Where is the Love? – The Black Eyed Peas)

Viva la Vida (Parte II)

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Retomando os assuntos "revolucionários" do último post...


Deve-se apagar esta imagem conturbada de que revolta é um grupo de pessoas brigando entre si. Não é verdade! Revoltar-se contra o sistema não implica, necessariamente, em medidas violentas.Os tropicalistas brasileiros exemplificam muito bem esse espírito de luta através da música, ou seja, das artes.

Como muitos dizem, o ano de 1968 não acabou, pois as mudanças reivindicadas não aconteceram imediatamente. Com o tempo, vários direitos foram conquistados, mas isso não pára por aí. Se hoje podemos viver em um ambiente mais livre, é graças à luta desta geração que não temia nada, que amava, que não se contentava, que lutava. Restauremos então esse espírito nos jovens do século 21,um espírito muito bem descrito pelo filósofo francês Sartre: "O que importa não é o que fazem com você, mas o que você faz daquilo que fazem com você". Rememoremos esta juventude batalhadora.


"Me dê um beijo meu amor

Eles estão nos esperando

Os automóveis ardem em chamas

Derrubar as prateleiras

As estátuas, as estantes

As vidraças, louças

Livros, sim...


E eu digo sim

E eu digo não ao não

E eu digo: É!Proibido proibir

É proibido proibir

É proibido proibir

É proibido proibir

É proibido proibir..."


(É proibido proibir - Caetano Veloso)

Viva la Vida (Parte I)

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Em época de eleições, o tema democracia é destaque na maioria dos discursos e debates de candidatos. Mas, por mais que eles prometam muitas coisas, o povo não tem se preocupado em cobrar... Isto me lembra uma das comemorações deste ano: os 40 anos do 1968. 1968: ano emblemático da história, marcado por eventos que refletem um único espírito irreverente, inovador, nos jovens da época: a rebeldia. Inconformados com a sociedade antiquada da época, os jovens iniciaram um processo revolucionário, visando a quebra de tabus em questões como liberdade, direitos iguais paraambos os sexos, beleza, sexualidade, entre outros... Este espírito pode ser muito bem representado pelo festival Woodstock, símbolo da contracultura, da geração pós-2ª Guerra Mundial, que luta por um mundo aos seus moldes inovadores. Considerando como exemplo o Maio Francês, podemos perceber que os estudantes não tinham medo delutar por seus ideais, protestavam sim, e acabavam sendo reprimidos, o que mostra a falta de voz, de liberdade de expressão da sociedade.

Diferentemente do que muitos pensam, hoje, a sociedade pode até ser mais livre do que antigamente, mas ainda há uma dose de autoritarismo na estruturação de nossasvidas poliico-sociais. É por isso que o ano de 1968 deve ser tão lembrado nos dias de hoje. Devemos conscientizar o jovem de seu papel no mundo pois, ele não é um mero espectador, tem que lutar pelos seus ideais, não pode acomodar-se ao receber apenas o que outra pessoa julga suficiente pois, todos nós pensamos! Todos temos condiçõesde decidir o que é melhor ou pior para as nossas vidas e as das pessoas à nossa volta. Seguir um padrão que você desaprove, imposto por alguém, é alienação (às vezes, geradapelo medo de ser livre) ou acomodação e contentamento excessivos. Não digo que os jovens devam virar revolucionários que vão às ruas brigar e fazer badernas. Mas lutar por seus direitos em passeatas, protestos, etc, é algo que não custa nada e pode render bons frutos. Paro por aqui com meu trecho musical.



Amanhã, leia a continuação desta postagem de duas partes.




"I used to rule the world

Seas would rise when I gave the word

Now in the morning I sleep alone

Sweep the streets I used to own..."


(Viva la vida - Coldplay)

A. F. - Sentimento Artificial

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Dia desses, estava assistindo ao filme "Inteligência Artificial" quando me dei conta da grande quantidade de questões sociais e éticas que este emocionante filme de ficção científica apresenta.
Ele narra a história de David, um dos primeiros andróides criados a ter sentimentos semelhantes aos dos humanos. Assim, ele necessita de amor, carinho, todos aqueles sentimentos sem os quais não conseguimos ter um mínimo de felicidade. No entanto, como é de praxe em nossa sociedade, o "robô" é tratado com hostilidade por várias pessoas pelo simples fato de ser diferente por ser um andróide,e não um ser humano de verdade. A parte mais triste é que até mesmo sua "mãe" (que no filme, seria a pessoa que o programou) tem muito medo dele, ainda sente este receio preconceituoso de conviver com uma criaturinha tão adorável e, ao mesmo tempo, tão diferente de sua realidade. Deste princípio, já podemos notar que o filme apresenta uma mensagem em relação ao preconceito, que mostra que, na sociedade atual,tudo aquilo que vemos como diferente, distinto, passa como algo ruim, que devemos temer, ou seja, tratamos o novo de forma absurdamente preconceituosa. É o mesmo principio teórico do qual partem os xenófobos: se não conhecemos aquilo devemos tratar com hostilidade para manter a nossa "guarda levantada"... Que princípio mais ridículo! Por que não tentamos simplesmente conhecer o outro? É, este é um dos problemas da sociedade atual: discriminação. Com os padrões bizarramente impostos pela mídia, quem não se enquadra é excluído. Analogicamente falando, isso me lembra aqueles filmes americanos que mostram uma tradicional organização nas escolas: os nerds (que sofrem nas mãos dos valentões), as populares, os esportistas, os valentões, os asiáticos, os hispânicos, ... Mas, porque esta ridícula divisão? Qual é a necessidade de classificar as pessoas? No colégio, as populares podem ser tidas como rainhas, mas depois, perderão seu posto para as bem-sucedidas nerds. E um belo corpo sem conteúdo não sustenta a vida de uma mulher por muito tempo. Não pude deixar de mostrar esta analogia sobre discriminação porque também assisti, esta semana, ao filme "Drillbit Taylor", sobre este assunto em questão... Porém, vale destacar, sempre há excessões, ok?
Mas retornando ao assunto inicial, seria possível criar sentimentos num robô como foi feito no filme? Os sentimentos não vêm de nossa parte física, e sim de nossas almas... Seria possível simular algo tão íntimo? É difícil dizer, mas como o filme é uma ficção... O mais triste é que o próprio andróide, o pequeno David, percebe o quanto é discriminado, principalmente por alguém que ama tanto, como a mãe. Assim, acha que só será realmente amado quando for um "menino de verdade", assim como seu "irmão" o era. Esta passagem consagra a aceitação do próprio discriminado quanto à sua inferioridade mas, isso não pode acontecer! Uma única passagem conseguiu romper com toda e qualquer idéia democrática de igualdade. Traço um paralelo deste fato com as pessoas que só se preocupam com a aparência, pois ela pensam como David: se não posso ser aceito do jeito que sou, terei que mudar e me encontrar com o padrão. Aí sim serei parte da sociedade. Terrível, mas real ponto de vista... Termino o meu texto, como de praxe com uma música que se relaciona muito bem com o assunto em questão:

"'Cause we all just wanna be big rockstars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We'll all stay skinny 'cause we just won't eat
And we'll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger's
Gonna wind up there
Every Playboy bunny
With her bleach blond hair"

(Rockstar - Nickelback)

Um grande abraço!
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Gostaria de iniciar este post com um pedido de desculpas por não ter postado na semana passada. Isso se deu por causa de uma série de conflitos pessoais que ocorreram em minha mente durante estes dias. No entanto, gostaria de ressaltar que postarei sim com minha assídua freqüência semanal de sempre e, aviso aos leitores que, podem ter certeza, todos os sábados haverá uma postagem de Mahatma Naiads disponível para que todos vocês leiam.

Obrigada pela atenção!

E agora, vamos ao post propriamente dito...

LHC: Large Hole Creator ???

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             Ano de 2008: período de acontecimentos que marcarão, para sempre, a história de inúmeros países. Ano das Olimpíadas de Pequim, marcadas por fraudes e enganações do COI, tristes eliminações e expectativas frustradas do tradicional esporte brasileiro. Nas Américas, a crise econômica nos EUA, que ocorre simultaneamente ao período eleitoral em que a rixa entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain aumentam pois, ou bem ou mal, com a globalização, estamos decidindo não apenas o presidente dos EUA e sim o representante oficial do Capitalismo mundial. No entanto, algo foi muito mais relevante do que qualquer notícia esportiva ou eleitoral. Uma tese lançada muito recentemente apresentou-se argumentativamente tão forte que passou a ser centro de inúmeras discussões éticas, cientificas e religiosas: o mundo pode acabar!

              Mas como isso aconteceria? Essa pergunta tem sim uma resposta: com a construção do LHC – Large Hydron Collider - uma máquina que pretende recriar o Big Bang. Não, você pode ter tomado um susto mas não leu errado não. A audácia da humanidade é tão grande que até recriar a grande explosão de uma porção de massa incandescente que originou o nosso universo os cientistas estão tentando. Um grupo de estudiosos reuniu-se em Genebra, na Suíça, para construir um acelerador de partículas que possibilitaria a recriação do fenômeno que originou todas as formas de vida e não-vida existentes na atualidade. Ousadia? Sim. E como qualquer projeto grandioso, apresenta uma série de riscos.

            Os cientistas nos garantem que não há nenhum risco iminente neste experimento. As chances de um acidente são mínimas. Bom, acredita nisso quem quer, mas eu, particularmente, não. Considerando o fato de que os cientistas não têm muita noção do que pode ocorrer ao longo deste experimento, estamos agindo praticamente como kamikazes, caminhando em direção a uma extinção de nossa espécie. Será que este risco (que não é pequeno, pelo contrário, atinge uma escala universal) deveria ser corrido? Vale a pena fazer isso? Obviamente, com o sucesso do experimento, inúmeras descobertas extraordinárias poderiam ser feitas, sim, mas elas valem o suficiente para pôr em risco a vida de toda a humanidade? Porque é exatamente isto que está acontecendo. Estamos sujeitos a inúmeras situações: um vazamento de material tóxico ou mesmo radioativo, um explosão atômica que seria mais forte do que o efeito de uma bomba nuclear, a criação de um buraco negro que pode devastar ou mesmo destruir inúmeras partes do globo e, dependendo da gravidade destes fenômenos, poderíamos estar à deriva de um processo que pode ser definido como o início do fim do universo. Não, não estou sendo sensacionalista porque se o fosse, tentaria mascarar os riscos desta empreitada. Estou apenas considerando as possibilidades que, como o próprio nome diz, não são certezas, mas podem acontecer. Vale a pena se arriscar assim? Acho negligentes as ações dos cientistas quanto ao experimento, esquecendo dos riscos graves, em nome apenas de glórias tecnológicas. Será que isso é uma ânsia por um prêmio Nobel ou por fama e fortuna? Não quero julgar ninguém, mas dadas as circunstâncias, é o que fica parecendo...

                     E se a teoria do Big Bang fosse comprovada neste projeto do LHC? Como  ficariam as crenças religiosas?. Se o experimento conseguir comprovar que a terra se originou do Big Bang, onde fica a teoria criacionista da Igreja Católica e outras religiões? Sabemos que os cientistas têm forte aspiração ao pensamento mais teórico dos acontecimentos, descartando as visões religiosas baseadas em dogmas que não podem ser comprovados. Com uma descoberta dessas, os cientistas provavelmente começariam a questionar a veracidade ou invencibilidade de Deus. Muitas  pessoas acreditam que estes cientistas querem brincar de Deus, se mostrando capazes de gerar a mesma coisa que Ele gerou no início de tudo. No entanto, não acredito nesta idéia. O experimento foi concebido com o simples objetivo de se descobrir novidades nos campos científicos e tecnológicos, o que poderiam ser grandes feitos na atualidade.

                    Uma informação divulgada nos jornais dizia que a máquina de LHC foi desativada ontem por motivos de vazamento de hélio líquido (uma das substâncias de menor temperatura existentes) de dentro da máquina. Se os cientistas estão tendo dificuldades para simplesmente manusear a máquina, quem dirá reproduzir o fenômeno? Onde estaria a segurança? Por precaução, esta máquina só será reativada na próxima primavera suíça, que acontece por volta de Abril do ano que vem.

                     Agora, a construção desta máquina que representou um grande avanço no campo tecnocientífico custou um bom dinheiro e, se você não percebeu, que veio do bolso de todos nós, habitantes do planeta Terra. Você foi perguntado se queria investir 10 bilhões de dólares numa máquina como esta? Sim, o mundo inteiro pagou em seus impostos uma quantia que contribuía com tal investimento, mas ninguém sabia que estava contribuindo com isso. Onde anda a democracia? Eu escolhi se queria isto ou não? Ainda dizem que somos livres...

                      Coincidência ou não, percebi uma certa analogia entre a ativação desta máquina e uma das previsões de Nostradamus (um dos maiores videntes da história): que entre 2008 e 2009, o apocalipse aconteceria e começaria, olha que irônico, em Genebra! Meio arrepiante, não é? 

                      Mas enquanto a máquina permanece desativada, podemos relaxar, temos pelo menos 6 meses de vida neste planeta em que vivemos... E assim, termino meu post com o tradicional trecho musical:

 

“Bones sinking like stones

All that we fought for

Homes, places we’ve grown

All of us are done for

And we live in a beautiful world

Yeah, we do, yeah we do…”

 

Don’t Panic – Coldplay

 

(Agradecimentos especiais ao professor David, do curso Brasas Tijuca, cuja aula inspirou-me a fazer este post.)

 

Um abraço!

Além do Horizonte

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ATENÇÃO: Pode conter spoilers do filme “O Último Rei da Escócia”. Porém, antes de você, leitor, desistir de ler este texto por não ter visto o filme em questão, adianto que farei um breve e esclarecedor resumo antes de apresentar minhas visões.

Nem tudo é o que parece. Durante nossas vidas, tendemos a aprender e a reconhecer a veracidade desta frase. Seja de forma mais tranqüila e agradável, como numa reflexão mais profunda; seja de uma forma mais brutal, agressiva, chocante, como quando descobrimos que algo ou alguém que julgamos conhecer, é completamente diferente daquilo. Ao assistir ao filme “O Último Rei da Escócia”, com Forest Whitaker, James McAvoy e Kerry Washington, percebi que o ditador retratado no filme exemplifica com perfeição esta idéia de superfície X conteúdo. Farei, agora, um breve resumo do filme em questão:

Uganda era um dos países que tinham sido colonizados pelos Europeus. Em certa época, um presidente sobe ao poder: Idi Amin Dada. Este era considerado o ditador do povo. Todos o admiravam muito e era um homem que revelava forte ligação com a cultura européia, em especial com a escocesa. Usava vestimentas do país, enfim, era um adorador do local. Com a ida de um jovem médico saído da Escócia em direção à Uganda, seus caminhos se cruzam. O jovem vira médico pessoal do ditador e depois de criar um forte sentimento de admiração pelo governante descobre que, na verdade, Idi Amin era um dos mais impiedosos ditadores da história. Tudo que revelava ser desfavorável aos seus interesses era reprimido das formas mais sangrentas e fortes que se viu. Pessoas eram torturadas e massacradas sem o mínimo de piedade ou compaixão. Todos que viam Idi Amin, consideravam-no um homem impressionante. Porém, os mais íntimos sabiam da sua verdadeira face perversa.

Exemplos da maldade do governante:

a) Ao descobrir que a mulher o traíra, mandou matá-la e cortá-la em pedaços deixando-os à mostra em uma maternidade clandestina.
b) Ao descobrir que o médico o traíra mandou prendê-lo vivo com ganchos presos à pele, definhando de dor.
c) Na suspeita de que um de seus empregados estava articulando com inimigos, mandou darem um tiro na cabeça do mesmo.

Além, Idi Amin tinha filhos com diversas mulheres e em festas, mesmo sendo casado, seduzia outras. Sempre andava com uma segurança pesada considerando os inúmeros atentados contra ele e sua escolta presidencial.

Pois bem, analisando: todos achavam Idi Amin solidário, brilhante, um verdadeiro representante do povo. No entanto, o que nem todos sabiam era que, na realidade, era um homem sedento de poder e que não media esforços para conseguir o que queria. Grande admirador de festejos orgiásticos, não apresentava muita seriedade quanto à sua vida pessoal, considerando o fato de deitar-se com outras mesmo enquanto casado. É estranho notar mas uma figura tão humanizada, tão popular, revelou-se um verdadeiro monstro.

Idi Amin Dada possuía duas faces bem distintas. Sua face mais obscura estava escondida por uma máscara que, ao ser retirada, representava qualidades bem reveladoras da figura em questão. Este ditador marcou a história de Uganda, um dos países africanos mais significativos da história. No entanto, percebe-se que a África passou, e tem passado por grandes provações desde os primórdios. Mas como um país que foi cenário do nascimento da civilização (Quem não lembra do Australopiteco Lucy?), o ponto de partida das jornadas nômades que povoaram as diversas regiões do globo, pode ser palco de chagas que marcaram o sentimento dos nativos deste continente, como o processo de escravização realizado durante os regimes colonialista (1500) e imperialista (1914), o Biafra (do qual temos fotos de crianças que padeciam diariamente por inanição), o Apartheid (segregação racial, uma falsa idéia de superioridade dos brancos em relação aos negros, ideologias que nos remetem aos ideais da Alemanha nazi-fascista de Hitler), a AIDS (ou SIDA, síndrome que debilita o sistema imunológico de centenas de habitantes deste continente; condições irrisórias de atendimento médico tornam este problema ainda mais iminente), e etc... Por que a África sofre tanto? Muito mais do que os outros continentes... Isso é uma injustiça com a mãe de todos nós, berço cultural de toda a civilização mundial (pois, ou bem ou mal, tudo começou com as dispersões territoriais do homem africano pré-histórico)!!!
É com tristeza que analiso estes problemas do continente, tão diversificado culturalmente, com uma riqueza de informações incrível, as grandes savanas, os belos desertos, etc...
Tenho que admitir que tenho uma certa fascinação por esta nação tão emblemática... Mas como pode um país como Uganda ser vítima de um compatriota seu como Idi Amin Dada? A África sofreu muito pois seus nativos confiaram demais em colonizadores e ditadores que alegavam uma série de vantagens ao continente quando, simplesmente, o exploravam. Pessoas de duas caras, que eram algo que se escondia sob uma face mais sedutoramente simpática. Como de praxe, trago uma música para completar a reflexão do tema do meu post:

“Diga quem você é, me diga!
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
Tira a máscara que cobre o seu rosto
Me mostra e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser.”
(Máscara – Pitty)

Um grande abraço!

“Não espere pelo Epitáfio...”

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Meu primeiro contato direto com provocações, questões, filosóficas aconteceu este ano, quando a disciplina Filosofia passou a se encaixar na minha carga horária escolar. Não conhecia este mundo (na verdade, sempre refletia sobre muitas questões, mas nunca conectava-as diretamente a um estudo específico, como uma disciplina que pudesse tratar de todas as minhas aspirações intelectuais. )
De início, no colégio, fomos apresentados a duas questões bem complexas:
- Quem sou eu?
- De onde vem o Mundo?
Estas perguntas são duas das milhares de questões fundamentais propostas pela Filosofia. Ao perguntarem-nos quem somos tendemos a dizer um nome, um rótulo ou algo relacionado ao nosso meio ou aparência e importância para a sociedade. Porém, ao pensarmos que poderíamos ter outro nome, será que mesmo assim, a nossa identidade ainda seria a mesma? O meu ser se define no meu nascimento ou minha identidade é formada socialmente?
Baseando-se nisso, pus-me a refletir sobre o assunto e cheguei à teoria a seguir:
- Quem sou eu? Ou melhor, qual é a minha identidade? E concluí o seguinte: Eu sou tudo aquilo que absorvo à minha volta. Eu sou as pessoas com quem convivo, sou o programa de TV ao qual assisto, a música que ouço, o livro que leio, o filme ao qual assisto, os lugares que freqüento, etc. Minha identidade será formada a partir daquilo que está à minha volta, a partir da minha realidade. Por isso as pessoas são diferentes entre si, elas possuem realidades distintas. Por mais que muitas pessoas possuam realidades parecidas, sempre haverá algum elemento de diferenciação, é algo inevitável. Porém, para possibilitar essas situações sociais, é necessário um lugar que seja concreto na mente de cada um, um lugar onde eu possa atingir o meu objetivo de formar a minha identidade: o Mundo. Como cada pessoa possui uma identidade diferente, cada pessoa possui um mundo diferente, onde ela executa estas situações sociais. Cada ser cria seu próprio mundo, com suas conveniências e também inconveniências pois para formarmos nossa identidade precisamos de desafios, de momentos positivos ou negativos, pois assim é feita nossa mente, da ultrapassagem dos limites do lógico. Isto também explicaria o porque de cada um ter um ponto de vista diferente sobre o mundo e seus elementos, pois cada um possui o seu próprio com aquilo que mais o chama a atenção ou convém. Todos acreditamos viver num mesmo mundo mas estamos meramente enganados. Enquanto desenvolvemos o nosso próprio mundo e adicionamos quem queremos a ele estamos participando da definição do mundo de várias outras pessoas, às vezes, até desconhecidas. Essa intersecção entre mundos irá definir o meu relacionamento com os entes à minha volta.
E porque a filosofia nos diz que a nossa identidade só será descoberta ao morrermos ou, possivelmente, nunca? Pois, por mais que morramos no nosso mundo, continuamos fazendo parte do mundo de outras pessoas que continuarão conceituando-nos durante a nossa existência em seus mundos. Portanto, só morremos realmente e nossa identidade só estará completa, quando fizermos parte do mundo de mais ninguém. Mas, por que quando alguns morrem, eles descobrem sua identidade? Pois a morte deste será percebida por todas as pessoas que o definem como parte de seu mundo, portanto, todos saberão que aquele ser já morreu e sua identidade estará definida.
Ou seja, o mundo foi criado por cada um dos seres, que acreditam ingenuamente que todos nós vivemos no mesmo mundo. Doce ilusão, criamos nosso mundo apenas para descobrir a pergunta da vida de uma pessoa: “Quem sou eu?”. Se você já sabe respondê-la, é uma pena, pois você se julga vivo, mas provavelmente, já está morto. A idéia de mundo é uma abstração da mente de cada um de nós.


Este texto apresentou as minhas visões sobre certas questões filosóficas... Ao criar esta teoria, provavelmente polemizei uma série de teorias defendidas por outras pessoas, inclusive por você, leitor. No entanto, este é o meu objetivo. Apresente-me suas visões sobre o assunto... Como você responderia às duas questões fundamentais acima? Porém, tenha atenção! Não responda sem antes refletir bastante, deixando sua mente flutuar no mundo das abstrações...
Para concluir, não quero apenas que seus pensamentos superem os limites do campo dos sentidos, da realidade... Tente superar, até mesmo, os limites do campo das idéias... Nunca seremos oniscientes... Não é possível. Mas temos uma grande capacidade de superação... Que tal refletir com um pequeno complemento de meu texto? Um pequeno trecho musical?

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo.
Parafuso e fluido em lugar de articulação]
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico... é tudo programado.
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vêm eles novamente...
... e eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema (...)”

(Admirável Chip Novo – Pitty)

Tente associar esta entidade superior e controladora à sua mente...
Créditos do título ao escritor e filósofo Mário Sérgio Cortella, autor de livro homônimo.


Um grande abraço!

“Rock and roll ain’t noise pollution.”

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Estava assistindo TV e me deparo com um de meus filmes favoritos: “Escola de Rock”, com o talentoso e cômico Jack Black. Porém, muito além de observar um monte de crianças que começam a tocar com o malandro roqueiro Dewey Finn e, realmente, conseguem fazer um “rock’n’roll” de qualidade, notei um assunto bem interessante que é abordado pelo protagonista em uma das cenas: o Rock foi criado com um objetivo primário: revolução. No entanto, como vem acontecendo com tudo vem sucumbindo ao nosso sistema e virou algo comercial. Essa popularização do estilo musical fez com que muitos passassem a ter uma visão preconceituosa, de que isto não é música de verdade. Porém, como boa admiradora dos bons clássicos do Rock, gostaria de defender o rock’n’roll, iniciando com o trecho musical/título do post da banda australiana AC/DC – Rock’n’roll não é poluição sonora!
Inicialmente, o estilo foi criado como forma de oposição ao sistema vigente em cada época, como protesto contra questões mais polêmicas ou mesmo mais negligenciadas por cada geração. Ainda não era algo tão vinculado à idéia de música para fins lucrativos, ou seja, à superficialidade ou ao apreço a uma imagem marcante. Não era esse o objetivo de bandas como Iron Maiden, quando interpretou “Hallowed be thy Name” (ou “Santificado seja vosso nome”), que descreve os aspectos polêmicos da Idade Média como a igreja católica e a santa inquisição. Chegam mesmo a citar o “Gallows Pole”, onde os hereges eram assassinados na forca.
Não era o objetivo dos Beatles, que até mesmo passaram por uma fase hyppie, caracterizada pela oposição ao sistema capitalista, ao consumismo, ao estresse cotidiano.
Claro que devemos considerar o fato de que estas bandas acabaram repercutindo de tal forma que, por mais que não fosse de forma tão direta, acabaram sucumbindo ao sistema, tempos depois. Mas, quando o rock’n’roll começou a perder seu caráter mais mental e, passou a ser mais comercial? O grande pivô disso tudo: Kiss. A banda de Gene Simmons, com suas máscaras estranhamente misteriosas e sua simbólica língua sangrenta, iniciou a moda de bandas visuais, ou seja, que se focam mais no sucesso midiático do que na mensagem que passam em si. Outros bons exemplos são os expoentes do psicodelismo como Twisted Sister e Van Halen. Não que estas bandas não sejam boas, mas que o Rock teve sua função totalmente modificada, não podemos questionar.
Hoje em dia, ainda temos bandas que tentam mostrar mensagens de protesto contra a nossa realidade como: Linkin Park, Coldplay, U2, Offspring, Green Day, etc. Mas o reconhecimento destas bandas, temos que admitir, foi conquistado muito mais por uma imagem, um estilo que as caracteriza, do que por uma letra de música que tenha sido analisada por todos nós, fãs. Obviamente, devemos considerar, ainda assim, as exceções, que realmente se identificam com as ideologias das bandas. Nota-se que, na atualidade. as bandas engajadas acabaram tendo que adaptar-se ao capitalismo vigente.
Agora, ressaltando a realidade nacional. Poucos são os aspirantes a antigos e ousados visionários, que não temiam criticar o sistema, como: Cazuza, RPM, Legião Urbana, Titãs, Cássia Eller, Ultraje a Rigor (de modo mais cômico, mas ainda assim, ousado), etc.
É só ouvirmos hinos ao protesto como “Que País é Esse?”, do Legião; “Mim gosta ganhar dinheiro”, do Ultraje; “Desordem”, dos Titãs; “Rádio Pirata”, do RPM; entre muitos outros.
Não podemos esquecer que em épocas de “ditadura”, há a grande problemática da censura. O cantor Paulo Ricardo da banda RPM conheceu de perto este “monstro” da época ao lançar o hit “Alvorada Voraz”.
Triste comparar músicas de tão alta qualidade com os sucessos de hoje. Músicas sobre sexo, drogas, apologias à evasão da realidade, romances adolescentes (relaciono aqui à idéia de “ficar”, o amor instantâneo, que começa rápido e termina mais rápido ainda). O problema é que, tenho que admitir, por vezes pego a mim mesma cantando alguns destes singles que ficam em nossas cabeças (mas não em nossas mentes) durante um bom tempo.
Mas, obviamente, não posso apenas idolatrar o Rock sem considerar a grande problemática que envolveu não apenas a juventude de Woodstock, como ainda envolve expoentes da música atual, como a cantora Amy Winehouse: “Sexo,drogas e Rock’n’roll”: um dos conceitos mais errôneos associados a este estilo musical, incrivelmente lamentável.
Se abordado com seriedade, o Rock seria uma saudável forma de repúdio à inaceitável realidade que estamos vivendo. Como isso é feito apenas por um restrito (e bastante restrito) grupos de bandas, ficarei um pouco saudosa das grandes bandas do século passado, apresentando os seguintes trechos para reflexão:

“Nesse mundo assim, vendo esse filme passar...
Assistindo ao fim, vendo o meu tempo passar....”
Alvorada Voraz – RPM


“I’m on the Highway to Hell....
On the Highway to Hell...”
Highway to Hell – AC/DC

Esta última música merece atenção especial pois foi feita pela banda pouco tempo antes de irem em turnê nos EUA. Como não queriam sair muito de seu mundinho fechado australiano e em partes da Europa, chamaram os EUA de inferno pois sabiam que a idéia de fama e fortuna subiria suas cabeças, já que estavam na grande potencial capitalista.


Let’s rock’n’roll!

Um grande abraço!