A Agord od Oãrdap

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Durante uma das minhas conversas com minha terapeuta, percebi um assunto que ignoramos, mas é muito interessante de ser abordado: padrões. Desde padrões de estudo, padrões de pesquisa, até padrões de alimentação e etc. Vivemos no meio de milhões de padrões. Alguns são meras convenções, que servem para instaurar alguma ordem, e evitar a situação caótica que acabamos vivendo mesmo assim. Outros são padrões pessoais, subjetivos, obsessivos ou não, mas são definições de uma mente que busca uma certa perfeição. (Opa, acabei de entregar em que grupo me encaixo).
Por mais flexível que uma pessoa seja, ela sempre estará seguindo algum tipo de padrão. Comer pão com manteiga no café da manhã é um exemplo de padrão que já ganhou tanta naturalidade que acabamos por não questionar. Mas, se um dia você quiser almoçar no café da manhã, nada te impede, concorda? O problema não está em seguir padrões, e sim em ser totalmente inflexível em relação a eles. Já dizia minha bisavó:
- Todo excesso é nocivo.
E tenho que concordar completamente. É saudável seguir padrões, pois eles facilitam muitos aspectos de nossa vida, poupam tempo, pois já estão lá e só precisamos seguir. No entanto, transformar sua vida num grande conjunto de padrões é o grande problema. Você vive numa prisão, não tem liberdade alguma, pois fica preso a definições, crenças próprias ou de terceiros que impedem que você possa pura e simplesmente ser feliz!
Algo que eu gosto muito de abordar é a temática do padrão de beleza, pois, tenho que admitir, sou uma vitima frustrada dele. Consagramos algumas divas e deuses por sua beleza como se eles fossem um ideal a ser seguido, e esquecemos a nossa individualidade. Buscamos uma perfeição que não existe, queremos ser algo que não somos na realidade.
Algo que reflete muito bem esta idéia é a grande avalanche de dietas que entram e saem de moda, prometendo o corpo de celebridade tal, ou a barriga chapada de fulaninha de tal. Será que essa revistas esquecem que todos somos diferentes? Que nunca teremos o corpo exatamente igual ao de outra pessoa? Nem com mil plásticas isso é possível. Outro dia, li na revista Istoé sobre uma mulher que se submeteu a dezenas de procedimentos cirúrgicos para ficar igual a uma cantora famosa do EUA. Tudo bem, se quer fazer isso, seja feliz! Mas, você nunca vai ser igualzinha aquela pessoa, vai se frustrar com isso. Então, por que não pode aceitar e ser quem você é? (Quem me conhece vai entender esse comentário em off: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”...)
Vivemos numa era em que a incidência de transtornos alimentares aumentou estapafurdiamente por conta de um padrão que a mídia impôs: o belo é ser magérrima, ter um corpo escultural. Estou generalizando um pouco, mas se você fizer uma pesquisa vai notar que praticamente uma unanimidade gostaria de mudar algo em seu corpo. Essa insatisfação é o reflexo de um sentimento de estar fora dos padrões que a mídia impõe como normal. No entanto, o normal é ser diferente. Não é normal viver de dietas para ser algo que você, naturalmente, não é. O normal é se aceitar do seu jeito, sem querer imitar pessoas cristalizadas pela mídia. Muitos dizem que devemos mudar o padrão de beleza. No entanto, a Dra. Marle Alvarenga, nutricionista especializada em Tas defende uma outra idéia: a de que não devemos mudar o padrão, e sim parar de seguí-lo, aceitar a nós mesmos exatamente como somos. Pense só: se o padrão virasse Mulher Melancia, por exemplo, o quanto teria de mulheres frustradas porque geneticamente nunca terão coxas como aquelas, nem que malhem e comam muita proteína e carboidrato.
Padrões sempre vão deixar algum grupo insatisfeito. É impossível agradar a todos! Então, por que não começar agradando a você mesmo?

2 Responses to "A Agord od Oãrdap"

g.winme Says :
1 de julho de 2009 20:13

Acho que isso nunca vai acontecer. Esse papo de ninguém mais seguir padrão. Nós temos neurônios que servem apenas para espelhar os outros (úteis para você bocejar logo depois que alguém boceja). É algo próprio do ser humano. Imitar para poder ser aceito.

Mahatma Naiads Says :
1 de julho de 2009 20:57

Concordo com isso...
Não estou dizendo para os padrões não serem seguidos. Estou apenas dizendo que eles não podem ser seguidos de forma obsessiva, entende?

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