E , novamente , a soberba foi derrotada.

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É difícil falar de futebol sem usar todos aqueles chavões batidos como "futebol é uma caixinha de surpresas", "futebol não é uma ciênca exata" e outros do gênero.

A derrota do Fluminense na final da Libertadores parece ter acontecido para desafiar a criatividade de quem evita ultilizar essas frases feitas.

Como acreditar que precisando de 2 gols e num Maracanã lotado o Fluminense veria seu ímpeto ofensivo esfriado, primeiro por fotógrafos mal posicionados (!?), e depois, logo aos 5 minutos, em grande jogada de Guerrón, finalizada por Bolaños?

Como acreditar que na grande área, com tempo e espaço para ajeitar o corpo e escolher o canto, o artilheiro do tricolor, Washington, perderia a chance de empatar?

Como acreditar que, num chute despretensioso de Thiago Neves, e numa jogada rápida de arremesso lateral finalizada pelo próprio camisa 10, o Flu viraria o jogo?

Como acreditar que numa cobrança de falta o craque do tricolor se tornaria o primeiro jogador da história a marcar 3 gols numa final de Libertadores?

Como acreditar que, em uma defesa milagrosa, o experiente, porém criticado goleiro Cevallos salvaria um chute a queima roupa na pequena área , e ali começaria a decidir o jogo?

Como acreditar que a final da Libertadores iria para a prorrogação e, após um gol mal anulado dos equatorianos e 2 horas de futebol , Guerrón teria fôlego para dar uma arrancada de 70 metros, sofrer uma falta perigosa e "expulsar" o capitão tricolor, e um dos jogadores mais sensatos do Brasil , Luis Alberto?

Como acreditar que, após a cobrança dessa falta e a não-conversão da mesma em gol, o Fluminense, comemoraria a ida da decisão para os pênaltis?

E então, companheiros, vieram os pênaltis.
Fugindo novamente do clichê, para mim pênalti não é loteria. É, é claro, um pouco de sorte0, mas também é treinamento, experiência, catimba, momento psicológico...

Há um dado que diz que 60% das disputas por pênaltis são vencidas por quem inicia as cobranças. A Liga contava com essa ligeira vantagem. Urrutia marcou e Conca, um dos craques tricolores, perdeu para Cevallos. Ali , o goleiro equatoriano mostrava estar com confiança. O zagueiro Campos perdeu , e o jogo estava "psicologicamente" empatado. Porém, após o apito do juiz e a demora de Thiago Neves, Cevallos saiu do gol para "reclamar" com o árbitro, e acabou com toda a confiança do homem que ganhou o jogo. Na cobrança , Cevallos defendeu. Após o segundo da LDU, de Salas , Cícero marcou o único gol tricolor. Após o gol de Guerrón, Washington correu para a bola com a responsabilidade de já haver perdido um pênalti decisivo (contra o Botafogo , na final da Taça Rio) e bateu fraco para a defesa de Cevallos.

E a Liga foi o primeiro time equatoriano a ser campeão da Libertadores. Sem haver treinado pênaltis na semana anterior à final.

Para o Fluminense, e seu técnico Renato Gaúcho , fica a incômoda lanterna do Brasileiro e a lembrança de que esse ano, que poderia ser o maior da história do Flu, corre sério risco de terminar sem nenhum título .

Para nós , os jornalistas , fica a velha dificuldade de falar de futebol sem usar esses velhos chavões .

3 Responses to "E , novamente , a soberba foi derrotada."

inferninho Says :
8 de julho de 2008 19:36

Muito bom o texto sobre futebol.. embora eu não entenda NECAS de futebol, né...
sabe como é!
Você é o cara, Sal!
Beijos, i.

Mahatma Naiads Says :
14 de julho de 2008 10:07

Não assisti ao jogo em questão mas deve ter sido realmente marcante...
No meu próximo post farei uma alusão a esta final de libertadores...
Bom, assim como inferninho, não entendo muito de futebol mas ainda bem que temos um jornalista (é mole!) para nos informar ^^
Até mais!

L. Hobbit Says :
16 de julho de 2008 13:58

Pois é,

O futebol é uma caixinha de surpresas lotada de clichês e chavões, mas se pararmos para pensar eles estão ai para mostrar mesmo que o futebol é o que é: uma grande surpresa, e por isso esse clima de "já ganhou" deve ser deixado de lado e aquele clima de mesa de bar e a zoação com o amigo-adversário deve ser deixada mesmo pro dia seguinte.

Saudações ao nosso comentarista esportivo,

L. Hobbit

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