Distorções Visuais e a Sociedade

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Grande parte de minha juventude ainda não concluída foi marcada por discussões infindáveis sobre alimentação... "Os jovens alimentam-se de modo cada vez pior" e argumentos afins.
Ok, penso eu. Vamos começar a ter a alimentação PERFEITA...
Com todos os grãos, cereais e proteínas necessários em cada refeição... Frituras, lipídios, hiperglicêmicos foram compostos orgânicos que saíram da minha rotina. E tal é minha surpresa que, ao fazer a alimentação dos sonhos de qualquer pai e/ou mãe, minuciosamente calculada, restrita, mas definitivamente saudável e ainda composta por uma invejável rotina de exercícios que proporcionaram um condicionamento muscular mais saudável, passo a ser vista como uma paciente de um transtorno obsessivo compulsivo: anorexia nervosa.
Pelo simples fato de não ingerir alimentos hipercalóricos e ter uma rotina controlada passei a emagrecer... Porém, as pessoas (trato aqui das pessoas que viviam cotidianamente comigo) achavam que eu não comia, e eu comia melhor do que as metade das pessoas à minha volta. O problema: não comia as chamadas "porcarias", "besteiras" ou "fast food"... Bom, mas isso não é um depoimento, tudo o que falo aqui tem um objetivo básico, que não é fazer dos leitores psicanalistas (Freud já me ajudou em relação a isso), e sim mostrar que os transtornos alimentares são considerados patologias genéticas.
Porém, transtornos alimentares estão muito mais conectados com a psicologia.
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Tentar entender o que se passa na cabeça de qualquer pessoa é algo realmente complexo, diria impossível, improvável pois somos seres temperamentais, de personalidades individuais e isso nos faz perceber o mundo sob vários ângulos diferentes. Contudo, um elemento que tornou-se peça-chave para que pudéssemos viver em sociedade passou a fazer com que vários pontos de vista, várias visões de mundo, virassem apenas um, aquele conveniente para pessoas que, por falta de cultura, não apresentam retórica de qualidade, e aceitam qualquer imposição como modelo dogmático. Estou falando da mídia. Dia após dias, ano após ano, década após década, morrem centenas de pessoas tentando enquadrar-se neste padrão imposto por modelos, atrizes e estrelas em geral, que com suas silhuetas esculturais causam inveja a todas as outras mulheres que buscam dietas (produtos diet e light) e processos com a perigosa cirurgia de lipoaspiração. A anorexia e a bulimia são patologias sociais sim, e andam lado a lado com a mídia. Em cada imagem comercial, em cada entrevista, vemos silhuetas cada vez mais esqueléticas, que acabam com todo o charme sadio de estrelas do século passado como a sex symbol Marilyn Monroe. Algumas pessoas, fracas em relação a seus pensamentos e auto-estima, passam a caçar todas as formas existentes que proporcionem o estado de ser como aqueles elementos tão adorados e desejados. Cegas pelo desejo de causar inveja, assim como aquela modelo está fazendo-lhas sentirem, elas não pensam em saúde, esquecem de tudo e de todos e passam a vivenciar apenas os seus mundinhos. Mundinhos marcados por induções vomitórias ou mesmo períodos de jejum infindáveis. É triste, mas é a verdade. Ás vezes, ser realista pode ser chocante ou mesmo angustiante, mas o que é mais triste é que se fizéssemos uma enquete, onde quer que ela fosse realizada, veríamos que todas as pessoas possuem alguma imperfeição (que na verdade não é uma imperfeição, apenas algo que foge aos padrões midiáticos de normalidade) e que gostariam de mudar algo em si. E na maioria das vezes, este algo é seu corpo. Inconveniente iconolatria que invade as mentes de seres que oscilam muito entre a racionalidade e a falta de razão.
Essas distorções visuais são reflexos de uma sociedade banalizada pela superficialidade imposta e induzida pela mídia comercial. Pobre ser humano, tolo por si só, vítima de um sistema que é tão poderoso, tão manipulador, que pode conseguir o que quiser através de ocultas - e até explicitas - lavagens cerebrais. Para eles, rios de dinheiro jorram em uma sociedade altamente dependente do fluxo monetário, que tornou o dinheiro tão valoroso que este passou a adquirir vida própria, e agora insiste em parar onde a vida é farta e confortável, ou seja, no bolso da burguesia.
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Está na hora de refletir.
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Grande abraço, Mahatma Naiads.

4 Responses to "Distorções Visuais e a Sociedade"

Empadinha Says :
8 de julho de 2008 21:29

Ainda temos musas com a silhueta saudavel. Esqueceu da Juliana Paes do professor de física? Mas essa é uma verdade, as pessoas estão sucumbindo à ditadura estética midiática.

Saudações do livre pub para nossos amigos da brecha

inferninho Says :
9 de julho de 2008 19:33

Mahatmanda,
o texto ficou muito bem escrito.. estaria aqui me perguntando.. tem algo que a senhorita não sabe fazer? Hahahah
Deixa pra lá. Bem, sobre o assunto, é verdade que essa coisa de magreza ''rouba'' as mentes fracas da nossa humanidade.. mas ainda temos umas poucas (e ''boas'', se me permite o trocadilho) pessoinhas que resistem à influência imposta pela midia ''global'' (tlim tlim).
Beijos, da amiga.

L. Hobbit Says :
16 de julho de 2008 14:10

Como era de se esperar: texto muito bem escrito, mesmo.

Muito legal você usar o nosso espaço como uma válvula de escape com coisas que acontecem com você e que mais do que isso podem servir para ajudar outras pessoas que são afetadas pelos mesmos problemas.

De alguma forma enxergar uma ligação entre seu texto e o texto de Thaco. Ainda estamos vivendo uma ditadura, uma ditadura da mídia, da beleza, do capitalismo, da globalização.
O que é bom é aquilo que estamos vendo e devemos nos igualar a esses padrões (pré) estabelecidos por uma minoria que muitas vezes nem sabe como o mundo é de verdade ou como as coisas são.
É uma pena, porque existem coisas mais importantes na vida do que querer ser igual à miss fulaninha que ganha absurdos enquanto existem pessoas juntando trocados para tentar se sustentar.

Parabéns,
L. Hobbit

Nilton Saldanha Says :
19 de julho de 2008 15:32

O seu texto parece ter o mesmo intuito do primeiro do Thaco , de mostrar que vivemos numa ditadura , embora não pecebamos.
Ditadura essa que tem influencia desde o que eu penso até como o que sou fisicamente.

Muito bom.

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