Os Verdadeiros Heróis OIímpicos

3 Comentários »
Não creio que um herói olímpico seja aquele que ganhe uma prova em condições adversas. Também não acho que se deva considerar, por exemplo, Vanderlei Cordeiro de Lima, o maratonista brasileiro que sofreu um ataque de um padre irlandês durante a disputa da maratona em 2004, um herói.

Nas olimpíadas de 1936, em Berlim, Adolf Hitler esperava comprovar a supremacia ariana sobre todos os outros povos. Ele faria isso com as vitórias de arianos sobre os outros povos nas várias modalidades, durante as provas. Ele, em parte, conseguiu isso, já que a Alemanha foi a primeira colocada com 33 medalhas de ouro.
Hitler se recusara a apertar a mão de um atleta negro do salto em altura, chamado Cornelius Johnson, e se havia retirado do estádio olímpico logo no primeiro dia. Jesse
Owens, um atleta americano negro, venceria, nos próximos dias, os 100m e 200m rasos, revezamento de 400m além do salto em distância. Tudo isso debaixo do bigode de Hitler, e na prova dos 200 m, com um alemão em segundo lugar. Owens mandou a supremacia de Hitler por água abaixo.
Porém, fez muito mais que isso, pois ajudou a aumentar o respeito dos cidadãos norte-americanos pelos outros afro-americanos.

Em 1968, tivemos outro caso histórico em olimpíadas, quando Tommie Smith e John Carlos, que ganharam ouro e bronze os 200m rasos, respectivamente, subiram ao pódio de cabeça abaixada e ergueram as mãos cobertas por luvas negras e punhos fechados. Era uma saudação Black Power, de apoio aos negros de seu país, que sofriam com a segregação racial. Ambos foram expulsos da delegação e da vila olímpica.

Vamos ver se haverá alguma manifestação de apoio ao Tibete nesse ano (acho que não, pois o Comitê Olímpico Internacional já se preveniu e proíbe qualquer atitude política de atletas durante os jogos, infração que é passível de desclassificação).

Alguns comentários sobre o Campeonato Brasileiro, que não para.
Como desce rápido o Flamengo!
E como nos surpreende o Vasco, que em 1 semana foi do inferno ao céu e voltou ao inferno.
E a torcida do Fluminense, que comemora a expulsão do próprio jogador?
E, finalmente, o único time do Rio em alta, o Botafogo, que parece ter encontrado uma maneira de atacar sem deixar muitos espaços, com Ney Franco. Com o técnico são 7 jogos, 4 vitórias, 2 empates, 1 derrota, 16 gols feitos e apenas 3 sofridos. Promissor!

“Mim gosta ganhar dinheiro”

6 Comentários »
(ATENÇÃO: Pode conter spoilers do filme “Batman: O cavaleiro das trevas”)

Esta semana, estava saindo com meus amigos e assisti ao blockbuster da atualidade “Batman: O cavaleiro das trevas” duas vezes. A primeira vez foi o suficiente para eu notar os aspectos mais superficiais da história como o sutil Lamborghini de Bruce Wayne. Porém, ao assisti-lo pela segunda vez, passei a ter uma outra visão e notei aspectos realmente interessantes do filme em questão.
O Coringa foi o personagem que mais atraiu a minha atenção (e não apenas pelos aspectos visuais que contagiaram os espectadores menos analíticos) pelo seu caráter de ser o vilão menos vilão que recordo em minha mente. Não que ele seja bonzinho, pelo contrário, seria sadismo da minha parte considerá-lo símbolo do bem, mas os objetivos do Coringa são tão inteligentes que me surpreendo com este personagem. Podemos notar que ele é um “anticristo” do capitalismo, pois é um dos únicos (pois não tenho certeza de que seja o único) vilões que não busca domínio, dinheiro, ou seja, não possui a qualidade primordial para ser um vilão da atualidade. É só analisar as superproduções mais recentes, os vilões são aqueles que lavam dinheiro, assassinam por poder, fomentam ou mesmo controlam o tráfico de entorpecentes, ou seja, são os vilões do neoliberalismo, que buscam liberdade para ficarem cada vez mais ricos e poderosos, que pode ser considerado o ápice do status nos dias de hoje. Pois bem, a cena da queima do dinheiro deveria ser considerada emblemática, pois é a consagração da rivalidade entre superficialidade (riqueza e poder) e esperteza intelectual. Ao dizer que é um vilão modesto que só usa coisas mais baratas, pois seu foco principal é ensinar lições, o Coringa nos mostra que, por mais que seja de forma macabra e mortal, ele não mata pelo prazer de matar, e sim pelo impacto mental que aquilo irá causar... Ele apenas usa o dinheiro para comprar o número necessário de armas de ataque, mas não tem uma vida luxuosa como, por exemplo, a dos mafiosos italianos. Não estou defendendo de modo algum os atos de violência do Coringa, e sim a sua idéia sobre consumo e sociedade... O que soa interessante é o fato de o Batman ser um símbolo nos EUA, ou seja, é a consagração do poder capitalista desta potência. E o Coringa, considerado vilão, tem uma idéia de desdém pelas riquezas exorbitantes desejadas pela maioria dos entes da atualidade e, consagrada, pela burguesia elitizada, ou seja, não bastasse ser apenas oposto ao Batman, também é oposto aos EUA, que mostram exatamente aquilo que consideram uma ideologia da “vilania”, pois é algo completamente oposto aos interesses deste sistema político (que virou social, econômico, ou seja, passou a dominar a realidade).
Harvey Dent também soou muito interessante a meu ver... Ele até mesmo ilustra parte do que meu pseudônimo significa:
Mahatma Naiads...
Mahatma > Gandhi, símbolo da luta não-violenta, consagração do pacifismo.
Naiads > As náiades, deusas gregas sedentas por vingança, uma consagração da agressividade.
Estes dois nomes mostram o que está acontecendo com a sociedade atual, que fica dividida entre atos de paz e guerra, uma sociedade não sabe em que face da moeda se encaixaria. Assim é Harvey Dent, o famoso Duas - Caras, que inicialmente possui apenas a face do bem (que pode ser vista em sua moeda que possui duas faces idênticas), é o típico herói bom moço dos filmes que movido pela “hybris”, pela raiva, pela angústia, pela agressividade, passa a ser um ente do mal. A queimadura consagra visualmente o lado mau do personagem, que pode ser visto também na moeda que passa a ter uma das faces queimada. Quando já está dominado pelo caráter vilão, o ato de Harvey/Duas Caras de jogar a moeda para definir se uma pessoa viverá ou não pela sorte mostra que ele está ciente de que ainda existe o bom moço inicial, porém, o acaso irá julgar se você será tratado bem pelo promotor bonzinho, ou pelo traumatizado e maléfico vilão final. Isto mostra que depressão (que foi causada pela perda de Rachel Dawes) pode gerar sentimentos perigosos e dolorosos. Aqui gostaria de homenagear o ator Heath Ledger que se demonstrou incrivelmente talentoso como o Coringa e que, encontrou a perdição no mesmo mal que dominou Harvey, a depressão. O desejo de vingança transformou um coração puro em algo duro, feito pedra, que apresenta uma frivolidade atemorizante. Engraçado é que não consigo apagar a imagem de Aaron Eckhart (ator que dá vida ao Harvey Dent) como protagonista do filme de argumentação “Obrigado por fumar”, mas tudo bem... Este filme pode ficar para um próximo post...
Outra idéia apresentada no filme que pode ser muito interessante: um herói corre o risco de viver o suficiente para ver a si próprio tornando-se um vilão. Mostra que a vida apresenta situações de risco que podem fazer até o mais bonzinho tornar-se alguém do mal. Às vezes é algo instintivo, que não conseguimos controlar. Batman tenta parar antes de tornar-se um vilão, assim como aconteceu com Harvey, mas sabe que isto pode não ser controlado, ou seja, sem perceber, o herói poderia converter-se a vilão... Iniciando uma carreira que antes ele próprio lutava para combater...
Ao ler o meu post, o leitor pode perceber que nem sempre o protagonista funciona como epicentro de um filme. Análises muito mais ricas podem ser feitas sobre os vilões do que sobre o próprio herói mascarado...
Como é de praxe, termino o texto com alguma alusão, neste caso, com uma música da banda Ultraje a Rigor que foi cantada pelo apresentador Marcos Mion no programa Quinta Categoria da Mtv que abordava o tema “suborno”. Relacionando ao oposto ideológico de Coringa e mostrando o desejo da sociedade por dinheiro e aspectos superficiais, passo a vez, agora, ao cantor Roger:

“Mim quer tocar... Mim gosta ganhar dinheiro... Dinheiro!
Me want to play... Me love to get the money... The money!
Mim é brasileiro… Mim gosta banana… Banana!
Mas mim também quer votar... Mim quer ser bacana... Bacana!”

Um abraço!

Mahatma Naiads (ou Harvey Duas - Caras, não sei o que representa esta antítese de forma melhor)

A vida como ela é ou como a vemos? - Parte Final

1 Comentários »
Terceira e última parte da Série.
Para ler os textos anteriores da mesma, veja esses endereços:
Parte I:
http://abrechacp2.blogspot.com/2008/07/vida-como-ela-ou-como-vemos-parte-i.html
Parte II:http://abrechacp2.blogspot.com/2008/07/vida-como-ela-ou-como-vemos-parte-ii.html

--

(continuação)
E quando uma pessoa percebe essa aura em você e traz essa importância cada vez mais para perto de si, aumentando aquilo que poderia ser pequeno e insignificante para algo grandioso e forte?

A tendência, após um considerável aumento da sua importância perante essa pessoa, é que esse valor sirva como uma ponte forte e aparentemente inquebrável, como uma ponte de hidrogênio, que permite que ocorra uma ligação entre as duas partes, os átomos. E apesar de muitas vezes serem átomos de espécies, famílias e características diferentes, eles se atraem e compartilham elétrons, tudo de bom que podem oferecer, completando uns aos outros, sendo ao mesmo tempo a alma gêmea e o oposto, que obviamente o atraí, do outro.

Perante essa ligação, cada uma das partes perde um valor significativo separada uma da outra, porque desse jeito se tornam incompletas e talvez até inúteis. Devido a essa importância, a falta de agente causador de tantos sentimentos bonitos pode causar o vazio de uma vida incompleta e sem importância.

Afinal de contas, o que seria de um sem o outro?
Um não vive sem o outro.

--

Esse foi o fim da série sobre a Vida que, inicialmente, foi um único texto, e depois, dividido. Talvez parte dele tenha se perdido, mas essas interrupções de certa forma serviram para incentivar uma reflexão sobre o assunto. Obrigada por terem acompanhado e por terem comentado.
Observação: A morte pode não ser o contrário da vida, mas é só ela que põe um fim na nossa existência e a deixa apenas na lembrança daqueles que ainda estão aqui.

Flamengo x Botafogo- Um jogo digno de se chamar "clássico"

3 Comentários »
Antes do jogo, que contou com menor carga de ingressos para a torcida botafoguense, em virtude do mando de campo, o Botafogo vinha numa seqüência de 4 boas partidas, desde a chegada do técnico Ney Franco. O Flamengo vinha de 3 jogos sem vitórias, quando conquistou apenas um ponto de 9 possíveis, empurrado pela gigantesca faixa da torcida: “O brasileiro é obrigação”.

O Botafogo havia barrado o até então titular, camisa 10 e capitão, Lúcio Flávio, em detrimento de Zé Carlos. A idéia do técnico Ney Franco era postar Zé Carlos de modo a bater de frente com Léo Moura e Alessandro fazendo o mesmo com Juan, pelo outro lado, de modo a anular as duas principais armas do Fla.
O Flamengo vinha tentando se arrumar após as saídas de Marcinho, Renato Augusto e, por último, Souza. A dupla de ataque foi Obina, e o argentino primo do Messi, Maxi.

No primeiro tempo, não houve chances muito claras para nenhuma equipe, a exceção da primeira e da última.

O Botafogo começou atacando, logo aos 5 minutos, em chute de longe de Diguinho, bem defendido pelo goleiro Diego, que substituía Bruno. O Flamengo respondeu aos 13, numa falta levantada para a área, que obrou para Ibson, mas ele bateu fraco e facilitou a defesa de Castillo. Em um contra-ataque aos 25, Obina deu um passe de calcanhar para Ibson, que chutou no meio do gol. O Botafogo tinha dificuldades para entrar na área do Flamengo, e só ameaçou em novo chute de fora da área, dessa vez de Carlos Alberto.
Aos 35, em um novo contra-ataque, que era sua principal jogada, o Fla perdeu boa oportuindade, com Obina, que chutou para fora. Aos 43, outra jogada do Fla, finalizada por Ibson, mais uma vez nas mãos de Castillo.

Faltando 30 segundos para acabar o primeiro tempo, aos 46:30, outro contra-ataque do Flamengo, lançamento para Obina e falha de Renato Silva, que se enganou com o quique da bola. O ídolo da torcida rubro-negra dominou, com um toque passou por Castillo, e chutou de esquerda, sem goleiro. A torcida rubro-negra já comemorava, e a botafoguense já estava lamentando quando todos perceberam a bola saindo por cima da trave. O zagueiro Renato Silva mostrou aplicação, determinação e velocidade incríveis, e conseguiu salvar a bola. O primeiro tempo terminou 0x0, mas o Flamengo jogou muito melhor.

O segundo tempo começou como o primeiro, com um chute do Botafogo, aos 6 minutos. Wellington Paulista dominou e bateu para fora. Assim como Carlos Alberto, aos 8. Aos 13, Jorge Henrique foi lançado pela esquerda, driblou Diego, mas a exemplo de Obina chutou fraco e no meio do gol, onde estava o zagueiro Fábio Luciano. Na continuação do lance, um cruzamento de Carlos Alberto e a cabeçada do mesmo Jorge Henrique parou no goleiro Diego (pelo menos dessa vez foi o goleiro). Uma cobrança de falta do Fla, defendida por Castillo, aos 20, foi respondida com uma outra , pelo Botafogo, para fora, aos 27. Aos 30 minutos, Kléberson cruzou para Obina, que livre, cabeceou para fora. Ney Franco colocou o atacante Gil, no lugar do volante Túlio, e ele fez uma boa jogada aos 32, que terminou com uma finalização para fora de Alessandro.
O Botafogo mostrava maior vontade de marcar o gol, e quase o fez quando Wellington Paulista fez bela jogada, aos 34, matando no peito e finalizando de voleio. O chute, porém, parou na trave. Também aos 34, Obina chutou de longe para fora. Aos 38, um contra ataque do Flamengo terminou quando Eder, que entrara no lugar de Maxi, bateu por cima do gol. Obina saiu de campo vaiado, também aos 38. Aos 42, uma seqüência de cruzamentos do Flamengo, foi parar em Juan, que cabeceou da pequena área, para fora. Aos 47, numa chance que poderia mudar o jogo, Carlos Alberto driblou e bateu de fora, com perigo.

As duas equipes procuraram a vitória, e embora o empate tenha sido justo, o 2x2, ou 3x3 seria adequado.

Pelo lado do Botafogo, destaque para Carlos Alberto, que chamou a responsabilidade para si e não se escondeu do jogo. No Flamengo, destacou-se Juan (para variar).

De negativo, no jogo, apenas as declarações dos membros do Botafogo, de que é um ponto “fora de casa”. O Maracanã é a casa dos 4 times do Rio e o Botafogo não pode cometer o mesmo erro do Vasco, e usar apenas o Engenhão como a sua casa, e não considerar mais o Maracanã como tal. O resultado disso pode ser ficar 10 meses sem ganhar no estádio, como está o Vasco.

O sistema de discrimin...digo, cotas!

4 Comentários »

Após escrever um post sobre nacionalismo, achei que não havia nada mais adequado do que expor minhas visões sobre um assunto nacional tão polêmico e, simultaneamente, oportuno, considerando o fato de sermos estudantes e, inevitavelmente, termos um vestibular a ser prestado em pouco tempo: o sistema de cotas.

Esse sistema garante a concessão de determinado número de vagas para que as pessoas excluídas socialmente, que não conseguem competir com os outros estudantes que estão prestando concurso, possam ter chances de melhorar de vida. São cotas relacionadas à raça e ao tipo de escola de origem (se é pública ou privada). No ato de inscrição em concursos públicos, após uma comprovação, o estudante que for afro-descendente e/ou vindo de escola pública entrará em um grupo que competirá por uma vaga dentre as reservadas exclusivamente para estes estudantes cotistas competirem entre si, não competindo assim com as pessoas de outras etnias e etc...

Agora que você, leitor, está mais familiarizado com esse sistema, revelarei o apelido do mesmo: discriminação.

Tratar esses jovens de maneira diferente é tratá-los como excluídos. E não apenas isso, é também chamá-los de incapazes, inferiores, ou seja, pessoas que não conseguiriam ser algo na vida por conta própria, apenas com a ajuda do governo. Porém, isso reflete em outra questão importante. Com isso o governo acaba admitindo que seu ensino público é realmente falho e não possui qualidade (paro aqui para ressaltar que público também é uma generalização pois temos escolas que se excluem desta situação usual). Um minuto! Vamos revisar esta idéia mais cuidadosamente... Isso mesmo leitor, significa que estão olhando para a nossa cara e dizendo: - Olha, eu estou ciente de não estar provendo uma educação qualificada e sabe o que eu penso sobre isso? Nada! Porque eu não estou nem aí!

Ao invés de tentar “mimar” países alheios, fraudar operações e etc, porque não investimos na educação?

Não! Pra que? É só criar o sistema de cotas que os alunos de escolas desqualificadas conseguem ingressar numa faculdade e no mercado de trabalho. (Gostaria de deixar claro que estou ciente do fato de que não são todos os cotistas que são desqualificados, ok?)

Conseqüência a longo (mas não pense no tempo geográfico, é um longo bem curto) prazo, as universidades públicas perderão a qualidade pois receberão estudantes mal-preparados. Isso acarretará em um número vasto de maus profissionais e, quem sabe o que mais acontecerá?

Agora, outra questão, a cota para afro-descendentes... Acho que esta representa a discriminação de maneira emblemática, mas há muito mais por trás disso. Por mais que seja discriminação, tenho minhas dúvidas em relação à validade da existência deste tipo de cota ou não porque, veja bem, em épocas coloniais, os negros eram tidos pura e simplesmente como escravos. Da África, vinha apenas mão-de-obra e esta triste realidade deixou chagas muito grandes nos corações dos descendentes destas almas sofredoras. A Abolição da Escravatura, ou melhor, a Lei Áurea foi o símbolo de uma ideologia que ficou no papel, mas não foi posta em prática. Escravidão não era apenas prender grilhões nos pulsos dos trabalhadores...Também era escravidão prover uma vida indigna, tratá-las como animais, sem comida decente, sem moradia decente, sem uma vida minimamente interessante de ser vivida. E isso não lembra algo dos dias de hoje? Lembra sim, a triste realidade das favelas, onde miséria e condições médico-sanitárias precárias ilustram o dia-a-dia de milhares de cidadãos que são completamente discriminados por sua etnia e classe social. E o mais triste, por um sentimento racista nascido em pleno colonialismo e presente até os dias de hoje que faz com que os afro-descendentes sejam privados de inúmeros elementos da vida, vivemos em uma absurda exclusão que ilustra o cenário social de nosso país.

Nesse aspecto, eu concordo com as cotas, porque são o único modo de incluir essas pessoas que são marginalizadas pelo sistema. Porém, não é certo discriminá-las, porque dizer que há cotas para negros é dizer que eles são menos capacitados do que as pessoas de outras etnias, o que não faz o mínimo sentido cientificamente. Mentes brilhantes são afro-descendentes e brilham por suas habilidades: Condoleezza Rice, Nelson Mandela, Malcolm X, Martin Luther King, etc...

Simbolicamente, se uma pessoa tem direito a uma cota, qualquer que seja o modo de conseguí-la, ela está sendo chamada de incapacitada. Eu, pessoalmente, detestaria me submeter a tal tipo de inferiorização.

O que me choca muito é ver que muitas pessoas que possuem o pai do pai do pai do pai negro tentam conseguir cota por causa disso. Não entendo... A sociedade: sempre tentando ser esperta... Mas tudo bem...

Agora, gostaria de concluir meu texto falando sobre um caso real de pessoa que veio de escola pública e passou em concurso público competindo com muitos estudantes de escolas privadas sem precisar de cotas: eu. Por isso penso que todos têm as mesmas condições de ingressarem em uma boa escola e terem um bom futuro. É necessária uma dose de perseverança e determinação, que combinados, rendem frutos muito bons. Ao invés de procurarmos facilidades, comodidades, devemos procurar desafios que nos façam adquirir mais experiência de vida. Vale a pena!

Concluo o meu texto com o seguinte trecho musical:

(...)We are the champions, my friends!

And we will keep on fighting, till the end (...)“

We Are The Champions - Queen


Um abraço!

Mahatma Naiads

Ignorância: um conceito divertido

2 Comentários »

Esta publicação foi escrita por uma leitora do blog. Ela está sempre lendo, e, ao fazer uma crítica ao A Brecha, pedi que escrevesse por mim desta vez. Foi o que aconteceu.

Observação: Dúvidas, Críticas e Reclamações mande para: menteabertacp2@gmail.com, ou comunique-se com um dos escritores.

Agredeço aos leitores, e à Mah, em específico, hoje.

--
Primeiramente, créditos ao g.winme, como é conhecido aqui. A pessoa que me deu a idéia de escrever sobre ignorância enquanto conversávamos. Ao decorrer de nossa conversa eu disse o quão confusa sou, disse-o sobre minhas infindáveis dúvidas, mesmo que sejam sobre coisas simples.

Ele me parabenizou por não ser ignorante.

Com isso ele deixa um sentimento explodindo dentro de mim, não sei exatamente aonde, não sei onde os sentimentos ficam - mais uma das minhas infindáveis dúvidas -, fiquei curiosa; porque não sou ignorante, e o mais importante: O que é ser ignorante?

Perguntei por que achava aquilo. Perguntar somente "Por quê?" talvez seja tolo, pois podem haver inúmeras respostas para essa mesma pergunta, pois ela muda de pessoa para pessoa, talvez a mesma idéia possa ser partilhada. É algo realmente inesperado.

Muitos talvez simplesmente recebessem o elogio (bom, eu o considero um elogio) e talvez o agradecesse, por medo de que perguntando mais detalhadamente sobre, o mesmo seja revogado. Talvez seja mais simples e fácil, concordam? Facilidade não é algo que realmente aprecio, infelizmente (ou felizmente, quem sabe?).

Sim, sou realmente curiosa, talvez isso um dia possa me matar, como matou o gato. Mas acredito no fundo que o gato morreu feliz, emocionado, excitado, por querer descobrir algo e morrer a favor disso, algo que realmente aprecio e adoro. Uma morte desejável, pelo menos aos meus olhos.

Sim, o perguntei por que achava aquilo e ele me respondeu com a seguinte frase: “Você não aceita as coisas como aparentam ser”. Surge-me outra dúvida; como as coisas aparentam ser? Mas isso não fora discutido com ele, e iremos falar sobre agora. Como as coisas aparentam ser? Como nos ensinaram ainda jovens? De que um animal peludo, com um focinho, quatro patas, duas orelhas, uma língua entre outras propriedades é um cachorro? Que aquele animal nojento que vive debaixo da terra é uma minhoca? De que quando alguém mata outro está errado? Que gays são um pecado? Que tude que aparece na TV é legal? Que somente o fato de tal roupa ter uma seguinte etiqueta com tal nome quer dizer que é superior as outras? É assim?

Talvez as coisas aparentem ser como aquelas que nos ensinaram quando éramos crianças, quando nos entregaram um livro cheio de imagens com lacunas abaixo delas para serem preenchidas. Quando nos apontaram algo na rua e nos disseram o que era. É assim? Provavelmente... há inúmeras possibilidades e repostas. Isso me recorda uma experiência que tive ainda esse ano, quando numa aula de ciências a professora nos apresentou uma imagem de um indígena meio que emergindo da água. Ela nos fez a seguinte pergunta: “Onde esse índio se localiza?”. Todos, exceto eu, responderam que ele se encontrava num rio, era o óbvio, não era? Porque eu também não respondi isso? Porque havia outras possibilidades, ele podia estar simplesmente numa piscina, num mar, num brejo, num lago, ou qualquer outra coisa parecida, por que não? “Porque ele é um índio oras, deixe de ser idiota, Mah”. E qual é o problema? Índios tem acesso privados de alguma dessas coisas por acaso? Do jeito que as coisas andam é bem mais provável que seja mesmo uma piscina do que um rio. Uma foto tão bem tirada, provavelmente por um profissional não poderia ser somente encenação? Como acontece o tempo todo na televisão? Aparentemente só eu enxerguei essa possibilidade.

No final eu estava errada quanto à minha idéia, mas não me senti errada, pois pensei muito além do que estava óbvio. Está bom, quando pequena eu realmente aprendi que índios são pessoas de pele avermelhada que andam pelados, usam penas na cabeça, comem peixes pescados em rios e outras plantas na floresta . Aprendi, mas também aprendi que generalizar é errado.

Este é somente um simples exemplo, esse tipo de coisas pode e deve ser aplicado em situações mais sérias, mais complexas. Mas é do baixo que se começa, não é mesmo? Primeira uma letra, depois uma palavra, depois uma frase, parágrafo, texto, livro, série... Até o findar de nossas vidas. E assim por diante, pelas gerações adiante.

Conseguiram entender? Dar-lhes-ei um conselho. Não foi eu a primeira a dizer, na verdade não faço idéia de quem o disse. Talvez vocês o achem até bobo pois o aprendi num filme infantil, mas, para mim, ele é realmente precioso:

Deixe a mente bem aberta.

Abraços.

Escrito pela leitora Mah, e publicado por g.winme.

5 Comentários »
"Primeiramente, Boa tarde! Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas estou aqui.
Com um propósito de somente entreenter a sua visita. Bem vindo e...
desculpe interromper a sua viagem.

Entramos num ciclo infinito
Somos um círculo
Estamos em movimento, somos fechados.

Ignoramos pequenas diferenças
Exclusão social nos leva à Pobreza
Ou talvez vice-versa.

Sociedade, somente ciente
Ciente em que? Pela mídia que nos mostra
Criminalidade, doença, tristeza?

É fácil tomar pelo lado conhecido
Sair pela tangente,
a Verdade é que a verdade não existe, só a gente.

Existe essa gente, esse povo
E pra eles que nós mentimos
Pois nós somos hipócritas, excluimos.

E mentiras, e verdades
E o povo, e a gente
E num ciclo de infinidade
Só existe quem se sente, movimenta e sustenta
Toda essa hipocrisia, que nos leva à falência.

Obrigada pela atenção."